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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Artigos

Faça a coisa certa, mesmo quando ninguém estiver olhando

Várias pessoas procuram fazer o que é correto muito mais motivados exteriormente por aquilo que “os outros vão pensar” do que interiormente, no palco da própria consciência.
Se por um lado a motivação exterior tem o seu valor, dado que vivemos em sociedade que tem suas regras para uma convivência sadia, por outro lado, é sempre para a nossa existência singular que somos motivados a fazer o que é correto. Vale dizer que, antes de tudo, é para a nossa realização pessoal, mesmo sabendo que esta passa pelo coletivo das nossas relações.
Entretanto, “a coisa certa”, aqui compreendida vulgarmente como o correto, ou ainda, do ponto de vista ético-moral, como o que é devido, coerente ou correspondente à realidade, não deve restringir-se unicamente às motivações externas e, até mesmo, internas, mas à verdade mesmo que esta exprime. Em outras palavras, significa dizer que o que é certo só restará ser o correto e não outra coisa, independentemente de um juízo de valor interno ou externo. Mesmo que o correto esteja condicionado de antemão a um juízo de valor já determinado por uma cultura ou um momento da história.
Em primeira instância, fazer o que é correto não deve ser motivado pela aprovação ou não de um olhar externo, mas porque “a coisa certa” é a necessária para a nossa singular existência, no plano da realização pessoal. Simplificando, fazer o correto é fazer o bem a si, antes de tudo. Trata-se de uma honestidade consigo.
Talvez você se pergunte sobre a importância de tudo isso e respondo dizendo que o seu grande valor está em corresponder à verdade sobre si sem deixar-se agir por motivações ou agir apenas por impulso destas. Um bom exemplo histórico é aquele através da educação de muitos cristãos que tomavam decisões na própria vida, não porque se defrontaram com a Verdade encontrada no encontro pessoal com Cristo através da fé, mas porque temiam o “olhar de Deus”, simbolizados pela clássica pintura trinitária do triângulo preenchido por um olho que tudo vê. Influenciados por está mentalidade, ainda hoje é possível encontrar pais que intimidam seus filhos em suas ações afirmando que “Deus está vendo!”.  
Enfim, devemos fazer o certo, não porque alguém ou até mesmo Deus estejam vendo, mas porque se trata de corresponder a nossa própria natureza, ao bem de si mesmo e dos outros. Redundantemente, fazer o certo é o correto e não existe outra opção melhor.
 
Pe. Ronaldo Miguel
Mestrando em Roma

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