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terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Artigos

Morto-vivo

Objetivamente, a morte é um mistério que ultrapassa os limites da experiência sensível de um simples corpo sem vida. Podem-se dizer muitas coisas de um morto, porém, este não é capaz de dizer algo sobre si mesmo depois da morte. 
Em segundo lugar, a morte é uma certeza absoluta. Tudo o que vive certamente morrerá. Neste sentido, a morte é uma verdade absoluta e universal para tudo o que vive. 
Já no âmbito da subjetividade, a morte pode ser vista por ângulos diferentes e interpretada diferentemente. Como, por exemplo, para um ateu a morte é o fim existencial; já para um religioso, a morte não é o fim, mas o início de uma nova vida. 
Mas afinal, o que quer dizer a expressão colocada quando afirma que “a pior morte é daquele que ainda vive”? O que é um morto-vivo? É aquele que mesmo vivendo manifesta sinais de morte durante a vida. Não se trata aqui de interpretar a morte apenas no sentido físico, como se tratasse apenas de uma doença corpórea ou um acidente que limitasse as condições da vida. Trata-se muito mais de uma morte como perca do sentido da própria vida; de quem foi perdendo o “gosto” por ela. Melhor dizendo: de quem não encontra razões para continuar vivendo e está morto interiormente. 
Certamente este é o pior tipo de morte porque é experimentada em vida e por isso é geradora de grandes sofrimentos e em sua maioria tem como sintoma o estado depressivo. 
Entre um vivo que faz a experiência da morte e um que mesmo estando morrendo faz a experiência da vida, existe uma diferença enorme. Trata-se das razões dadas ou encontradas para significar um e outro. Para um a existência está radicada no sentido do viver; já para o outro, no morrer. Eis o drama de todo morto-vivo: experimentar a morte em vida. 
 
Pe. Ronaldo Miguel
Mestrando em Roma

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