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PREOCUPEMO-NOS COM OS PROBLEMAS, DEPOIS COM MORTE
Creio que falar sobre morte ou mesmo sobre tragédia como foi o caso da que aconteceu com o avião que transportava os jogadores da Chapecoense, é algo extremamente delicado e que não me atrevo a tecer maiores comentários sobre este trágico acidente.
Sobre a morte o pensador Confúcio disse o seguinte: “Para quê preocuparmo-nos com a morte? A vida tem tantos problemas que temos de resolver primeiro”.
Os problemas estão presentes e constantes ao nosso redor que invariavelmente não nos damos conta da presença deles e muitas vezes esquecemo-nos de resolvê-los e, quando menos esperamos, somos surpreendidos e este relapso é que pode nos levar a morte.
O caso da tragédia com os atletas e profissionais da Chapecoense, se deu por um conjunto de fatores como falta de atenção, relapso com procedimentos básicos de segurança e da avaliação da quantidade de combustível para percorrer uma distância segura para chegar ao destino final, que ceifou a vida de dezenas de profissionais. Se problemas como estes tivessem sidos checados com cuidado aliado ao maior profissionalismo do piloto e de quem autorizou este voo kamikaze, certamente o acidente não teria ocorrido e hoje não estaríamos chorando pelo leite derramado.
Dentre uma série de problemas que temos para resolver e não o fazemos estão nas coisas simples que temos de fazer como deixar de comer gorduras e assim aumentaríamos nossa expectativa de vida; atravessar a rua usando a faixa de pedestre; parar de fumar, de fazer sexo sem camisinha e não reagir a um assalto. Quando beber, não dirija. Com esta atitude muitos não morreriam de véspera e pedestres não seriam vitimas de motoristas bêbados.
Veja que até problemas no trabalho podem levar muitos de trabalhadores a morte. Esta estatística é real e muitas são as vítimas em decorrências de agressões físicas, moral e por acidentes de trabalho cometidas no local do trabalho e que poderiam ser evitadas se medidas controle, fiscalização e prevenção mais eficazes fossem aplicados. Mas, estes problemas muitas vezes não estão sendo levados a sério por empresários e trabalhadores e estas negligências estão ceifando vidas.
Segundo estatística americana, cerca de 4.500 trabalhadores morrem no trabalho e 500 morrem agredidos por um colega ou cliente. Estas agressões são a segunda forma mais comum de morrer no trabalho, perdendo apenas para os acidentes com veículos da empresa. No Brasil são cerca de 3000 morte/ano, sem falar das mortes de trabalhadores sem carteira assinada e que não são contabilizadas pela Previdência.
O fato é que viver se tornou uma atividade perigosa, com muitos problemas e riscos presentes no nosso dia adia e que muitas vezes não nos damos conta do perigo presente logo ali na próxima esquina e passamos a nos preocupar em demasia com a morte como se ela viesse antes dos problemas e dos motivos que antecedem a ela.
Confúcio estava certo quando disse para não preocuparmo-nos com a morte e se com a vida diante de tantos problemas que temos para resolver primeiro.
A morte como todos sabem é inevitável, é inexorável e ela vem para todos os seres vivos. Não tem saída. Não tem como escapar dela. Gastar energia com esta preocupação é pura perda de tempo e de vida. Preocupemo-nos assim em tomarmos atitudes mais seguras, sensatas, criteriosas e responsáveis a fim de que estes conjuntos de ações possam ampliar nosso tempo de vida na terra. O que aconteceu com equipe da Chapecoense foi fruto de um conjunto de ações irresponsáveis daqueles que tinham a responsabilidade de cuidar para que os atletas, profissionais de imprensa e dirigentes de futebol fizessem uma viagem segura e sem problemas até a Colômbia e não o fizeram.
Juarez Cruz
Escritor e colunista