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terça-feira, 06 de dezembro de 2016

Artigos

Viver a Vida, a humana vida

Viver é a maneira mais significativa de exprimir a existência. Se bem que é verdade que tantas coisas existem sem a vida, esta parece ser mais significada e percebida quando é expressa pelo movimento contínuo que é a vida no seu processo de manifestação. A vida é movimento e não inércia. Não é morte que paralisa, mas é existência num ato contínuo de movimento.
Mas o que é a vida humana? É uma vida como outras coisas vivas? Se a máxima da existência é a vida porque esta a melhor significa, o que dizer então da humana vida? Sim, humana vida. Porque nem toda vida é humana. 
Então agora cabe outra questão: quem é o humano dotado de vida? É um existente singular e social, dotado de dignidade na qualidade de humano. 
Se por um lado as situações limites da nossa vida nos permitem falar em mais vida ou menos vida, dependendo das circunstâncias do estado de saúde pessoal, por outro lado, quando falamos de humano, não existe mais ou menos humano do ponto de vista existencial, e muitos menos do ponto de vista ético. 
O humano é humano. Nem mais e nem menos. Não importa se novo ou velho, grande ou pequeno. Se existe a um segundo ou há 100 anos. Sempre será um existente na qualidade de humano. Se o direito à existência estiver subordinado a outros diretos de caráter secundário, então a morte que contradiz a vida corre o risco de se tornar um imperativo sobre esta. Ou seja, seria uma catástrofe da vida, interrompida pelo legado de inumeráveis justificativas: a gravidez não foi desejada então mata a vida, é deficiente e não sobrevive sozinho ocupando demais os outros, então mata a vida; é idoso e não tem mais vigor para vive e contribuir com a sociedade, então mata a vida; é malfeitor e prejudica a sociedade, então mata a vida; é depressivo e não é capaz mais de encontrar o sentido da vida, então tira a vida… E por aí vai. 
Acontece que não se trata de uma vida qualquer. Trata-se de um humano que não deixa de ser menos humano por nenhum motivo que se pretende falsamente ser justificável. E dizer que é humano implica dizer que é um existente capaz de amar.   Só no amor é que o humano é capaz de entender-se e acolher-se como humano. Só no amor é capaz de suportar todo e qualquer limite da vida, sobrepondo-a acima de tudo. Pois só quem ama, gera o amor no ventre ou na cadeira de rodas, na alegria ou na triste decepção, nos acertos ou nos erros. Pois o amor é tão humano que de tão humano que é chega a ser divino. Heresia? Acho que não: Jesus é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Mas é também o Amor do Pai personificado em meio aos homens. É o Amor divino que ama o humano. Melhora ainda:  que ama a vida humana a ponto de no amor contrapor-se: dá sua vida para os que estão desprovidos da vida. “Prova de amor maior não há que dar a vida aos irmãos”. 
Portanto, só por amor não matamos a vida. E como o amor é próprio do humano então seremos mais humanos quando amamos a vida e a promovemos. Caso contrário, desfiguramos nossa humanidade, matando-a primeiramente em nós mesmos. 
Cuidado humano para não seres desumano matando o humano que és.  Eis minha prece.
 Pe. Ronaldo Miguel
Mestrando em Roma
 

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