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De todos os tempos o mais significativo, o que ainda nos resta!
É certo que a vida é constituída de memórias. Que o passado é determinante para o presente e o futuro de qualquer um. Entretanto, o passado já foi dado por certo mediante o já concretizado e válido como experiência e determinação para o que hoje somos.
O futuro, por sua vez, será a memória de um passado que já passou, mas também de um presente que também será passado. Quanto ao passado do passado para quem vive no hoje do presente, este não há nada mais o que fazer, a não ser o grande ensinamento que a memória nos traz.
Já ao passado do momento presente que é o hoje num passado de um futuro amanhã, esse sim é determinante e valioso: nele está a chave para sermos diferentes num futuro amanhã.
Parece confuso? Todo esse silogismo só para entender que nem o passado e nem o presente significam mais em nossas vidas do que o hoje, o agora, o momento presente da nossa existência.
Hoje é o momento favorável para sempre decidirmos a continuarmos os mesmos objetivos ou não. É o tempo de repensá-los, modificá-los, aperfeiçoá-los etc. É por isso, que “de todos os tempos o mais significativo, o que ainda nos resta”: é no hoje que realmente nos concretizamos existencialmente e vivemos a intensidade do nosso existir. É no hoje que somos desafiados a cada instante de nossas experiências.
Quanto ao futuro, “O que ainda nos resta”, também o será significativo tal qual o presente, porque quando este vier a acontecer, já não será mais futuro e sim um experiente viver no presente que também irá entrar na memória do passado. Como o futuro ainda não aconteceu, vindo a acontecer será o presente, isto é, o momento favorável para que a nossa vida aconteça e seja determinada pelas nossas presentes escolhas.
Por isso, vivamos intensamente o momento presente. Pois é somente nele que seremos o absoluto da nossa existência e das nossas realizações na linha histórica do tempo. É por isso que para os cristãos, celebrar os mistérios da fé significa muito mais que recordar um acontecimento passado: é trazer para o hoje da nossa existência o mesmo mistério que nos faz viver e ressuscitar a cada dia, mediante o imediato da nossa vida e o imediato do amor de Deus. Numa única palavra: hoje.
Pe. Ronaldo Miguel
Mestrando em Roma