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SANTA TERESA DE CALCUTÁ
Na edição da última sexta-feira, o Jornal de Barretos publicou o artigo “Madre Teresa de Calcutá” da autoria de Celso Pezza. Confesso que surpreendeu-me a crítica mordaz do autor à Madre Teresa de Calcutá, canonizada no dia 4 pelo Papa Francisco, na Praça de São Pedro, com a presença de 120 mil fiéis de várias partes do mundo.
O Sr. Celso Pezza apóia-se em pesquisas promovidas por cientistas canadenses que sustentam que Madre Teresa “era uma fanática e adepta de que os fins justificam os meios”. Diz também que Madre Teresa para manter sua obra apoiou ditadores como Baby Doc no Haiti e que patrocinava o sofrimento para poder ampliar a sua obra em favor dos pobres e doentes.
Entre essas e outras acusações, o Sr. Celso Pezza afirma que o referido estudo canadense provou que “o altruísmo e a generosidade atribuídos a Madre Teresa não passaram de um mito, e sua imagem de santa foi devido a uma forte campanha publicitária” e que a sua canonização foi uma “vitória do obscurantismo medieval sobre a razão”.
Se, de fato, as acusações que o Sr. Celso Pezza apresenta no seu artigo procedessem, a Igreja Católica cometeria um grave erro e correria um risco enorme diante da opinião publica mundial se propusesse como modelo de vida cristã alguém sujeita a tão sérias acusações e com um comportamento tão doentio. Certamente, como é óbvio acontecer, no processo que antecedeu a canonização de Madre Teresa essas críticas foram suficientemente descartadas e as dúvidas esclarecidas, tornando assim perfeitamente comprovada a sua santidade e a beleza da sua obra.
O referido documentário da Universidade de Montreal e as acusações do jornalista inglês Christopher Hitchens, preconizados pelo Sr. Celso Pezza, não foram os únicos a colocar em dúvida a boa fé de Madre Teresa e a legitimidade do seu trabalho.
A autora do livro “Madre Teresa – tudo começou na minha terra”, Cristina Siccardi, diz que ela “foi alvo de investigações jornalísticas, como aquela do jornal inglês The Guardian, em 1996, e do semanário alemão Stern, que em 1998 publicou um artigo muito crítico com o título ‘Madre Teresa, onde estão os teus milhões?’. Também o semanário norte americano Times falou longamente de Madre Teresa colocando-a na capa da revista com o título: “Santos vivos: mensageiros de amor e paz”. Personagem midiático e célebre, a missionária por antonomásia se tornou, logicamente, alvo das críticas daqueles que se nutrem da má fé. Graças à sua notoriedade, a beneficência destinada às Missionárias da Caridade, cresceu sempre, por isso foi fácil lançar lama sobre Madre Teresa como já tinha acontecido também ao Padre Pio de Pietrelcina, que, tendo fundado o hospital Casa Alívio do Sofrimento, de San Giovanni Rotondo (Itália), se viu administrando um imponente capital econômico. Também quando São Vicente de Paulo foi chamado, em 1643, para fazer parte do Conselho da Consciência, ou Congregação dos Negócios Eclesiásticos da regente da França, Ana da Áustria, para organizar em escala nacional a ajuda aos pobres. Se disse que por suas mãos passava mais dinheiro do que pelas mãos do Ministro das Finanças”.
Como se vê, na história da Igreja, Madre Teresa não foi a única a ser colocada no banco dos réus num mundo que cultua o sucesso e acusa de obscurantismo os que preferem ler e viver o Evangelho do que as ideologias que sacrificam a verdade em nome e uma possível liberdade.
A melhor resposta aos acusadores de Madre Teresa, agora, Santa Teresa de Calcutá é a sua obra presente em todos os continentes do planeta, nas áreas mais pobres e onde o risco do terrorismo fundamentalista é iminente.
As Missionárias da Caridade, fundadas por Santa Teresa de Calcutá, estão lá onde ninguém escolhe estar para amparar, socorrer, aliviar os mais desamparados e descartados neste mundo.
A autora acima citada, conhecedora a fundo da vida e da obra de Madre Teresa de Calcutá, cujo livro está publicado pela Editora Paulus permitindo aos que desejarem conhecer detalhes da vida da recém canonizada, diz: “Madre Teresa não foi a solução para os problemas infinitos da indigência humana, mas foi um alívio, e ainda o é, com as obras que deixou ao serviço de tantos infelizes. Ela dizia: ‘Sei que nós somos uma gota no oceano da miséria e do sofrimento humano, mas, se não houvesse nem mesmo essa gota, a miséria e o sofrimento humano seriam ainda maiores’”.
Peço ao Senhor Celso Pezza que, por favor, considere algumas afirmações do que escrevi. Não é meu interesse algum polemizar, mas, esclarecer. Se há aqueles que afirmam que a canonização de Madre Teresa foi a vitória do obscurantismo, há aqueles que afirmam e provam que Madre Teresa não tinha nada a esconder, porque tudo que tinha não guardava para si, mas destinava aos mais pobres.
O Papa Francisco, na manhã do domingo passado (04), diante da multidão reunida para participar da celebração da canonização de Santa Teresa de Calcutá afirmava: “Madre Teresa, ao longo de toda a sua existência, foi uma dispensadora generosa da misericórdia divina, fazendo-se disponível a todos, através do acolhimento e da defesa da vida humana, dos nascituros e daqueles abandonados e descartados. Comprometeu-se na defesa da vida, proclamando incessantemente que ‘quem ainda não nasceu é o mais fraco, o menor, o mais miserável’. Inclinou-se sobre as pessoas indefesas, deixadas moribundas à beira da estrada, reconhecendo a dignidade que Deus lhes dera; fez ouvir a sua voz aos poderosos da terra, para que reconhecessem a sua culpa diante dos crimes ― diante dos crimes! ― da pobreza criada por eles mesmos. A misericórdia foi para ela o ‘sal’, que dava sabor a todas as suas obras, e a luz que iluminava a escuridão de todos aqueles que nem sequer tinham mais lágrimas para chorar pela sua pobreza e sofrimento”.
Santa Teresa de Calcutá rogai por nós!
Dom Milton Kenan Júnior
Bispo de Barretos