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domingo, 07 de agosto de 2016

Artigos

Misericórdia na família: Dom e Missão

A cada ano, a Igreja do Brasil realiza, de norte a sul do nosso país, a Semana Nacional da Família (de 14 a 21 de agosto) que, entre nós barretenses se antecipa, de acordo com a Lei Municipal para a primeira semana de agosto.
Em sintonia com a celebração do Ano Santo da Misericórdia o  tema proposto neste ano para a realização da Semana da Família é “Misericórdia na Família: Dom e Missão”. 
Na Exortação Pós-Sinodal “A Alegria do Amor”, o papa referindo-se ao amor, razão e sentido da união conjugal e da vida em família,  chama a atenção para o hino à caridade escrito por São Paulo: “O amor é paciente, é benfazejo, não é invejoso, não é presunçoso nem se incha de orgulho, nada faz de vergonhoso, não é interesseiro, não se encoleriza, nem leva em conta o mal sofrido; não se alegra com a injustiça, mas fica alegre com a verdade. Ele desculpa tudo, crê tudo, espera tudo, suporta tudo” (1Cor 13,4-7).
Entre os atributos do amor, elencados por São Paulo, Francisco comentando a expressão “não leva em conta o mal”, traduz o termo por perdão, dizendo que trata-se do “perdão fundado em uma atitude positiva que procura compreender a fraqueza alheia e encontrar desculpas para a outra pessoa, como Jesus que diz: ‘Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem’ (Lc 23,34)”. 
O perdão é, sem dúvida, a demonstração mais palpável da misericórdia que é reconhecida como dom e missão na família. Seremos misericordiosos não só nos nossos lares, mas na convivência com os outros se formos capazes de perdoar. E o perdão, convenhamos, também aprendemos no seio das nossas famílias.
O Papa Francisco diz que a tendência hoje é “buscar cada vez mais culpas, imaginar cada vez mais maldades, supor todo o tipo de más intenções, e assim o ressentimento vai crescendo e cria raízes. Deste modo, qualquer erro ou queda do cônjuge pode danificar o vínculo do amor e a estabilidade familiar” (LS 105).
Superar a lógica da vingança e a espiral do ressentimento que gera desconfiança entre nós é a luz que a misericórdia projeta sobre nossas vidas e a vida de nossas famílias, quando apregoa que o mal não se vence com o mal, mas unicamente com o amor; e, que a arte das artes é vencer o mal com o bem.
 
Dom Milton Kenan Júnior
Bispo de Barretos

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