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terça-feira, 19 de julho de 2016

Artigos

Desprendimento

Conta-se que foi dado a um pequeno sitiante um lindo faisão dourado. O simples e modesto homem ficou maravilhado com o presente, e depois de mostrá-lo à família inteira e aos vizinhos, ficou andando de um lado para o outro, sem saber onde colocar a imponente ave. Depois de muitas horas de indecisão, levou-a para o galinheiro.
Encantados com o porte e a beleza do faisão, as galinhas começaram a cacarejar e a girar em volta dele, com a admiração de quem estava vendo um semi-deus.
Acontecia esse reboliço todo no galinheiro, quando o sitiante, chegando, jogou um punhado de farelo para as aves. O faisão, que estava morrendo de fome, após tantas andanças, deu em cima do farelo, com a maior avidez imaginável.
Diante do espetáculo tão vulgar, – aquela maravilha de ave como outra qualquer -, as desencantadas companheiras de galinheiro, atacaram de bicadas o “ídolo caído”, até lhe arrancarem todas as penas.
Tão triste assim é o desmoronamento de um egoísta ou de um vaidoso. E tanto maior e mais desastrosa e a queda desse tipo de gente, quanto mais estiver “empinada” sobre as próprias forças, presunçosamente confiante na sua capacidade pessoal.
Quando o cristão sentir que é possuidor de dons e talentos, quer sejam humanos ou sobrenaturais, humildemente deve colocá-los a serviço dos irmãos e de Deus.
Só com humildade se compreenderá realmente que nada lhe pertence: a inteligência, a saúde, a honra, as nobres ambições, os triunfos, são dons que Deus dá aos homens, para que estes melhor O sirvam e melhor sirvam ao próximo.
Cuidemos, pois, para não sermos depenados, julgando-nos diferentes, melhores ou mais do que os outros.
Toda beleza interior que tivermos vem de Deus, e é para Deus, especialmente através dos irmãos.

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