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quinta-feira, 03 de março de 2016

Artigos

“Estive doente e me visitastes” (Mt 25, 36)

Se há um momento em que a misericórdia faz sentir o seu efeito salutar é no momento da doença, pois quando adoecemos nos damos conta da fragilidade da nossa vida, do quanto somos limitados e de como a nossa existência é passageira (cf. Catecismo da Igreja Católica, nº 1500).
Quando tomamos os Evangelhos vemos a solicitude de Cristo para com os enfermos. Mal iniciara o seu ministério e Mateus nos diz: “Sua fama se espalhou por toda a Síria de modo que lhe traziam todos os que padeciam diversas enfermidade ou tinham doenças: endemoninhados, lunáticos, paralíticos. Ele os curou” (Mt 4, 24).
O Evangelista Marcos diz que os discípulos enviados por Jesus para a sua primeira experiência missionária: “ungiam com óleo muitos enfermos e os curavam” (Mc 6,13). 
Ao celebrar o Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, o Papa Francisco convida toda a Igreja a redescobrir e viver as obras de misericórdia. Entre elas, encontramos: “Assistir os enfermos”; é o que fazem muitos agentes de Pastoral da Saúde, ministros, membros de obras sociais que dedicam grande parte do seu tempo em atender os doentes. Mas, também, não podemos nos esquecer dos profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, e outros) cujo trabalho é aliviar os sofrimentos e curar as enfermidades.
Entre os muitos santos e santos que dedicaram grande parte de suas vidas a assistir aos enfermos, destaca-se São Camilo de Lelis (1550-1614) que reconhecia nos doentes o próprio Cristo. Cada doente era recebido pessoalmente por ele à porta do hospital com um abraço: eram-lhe lavados e beijados os pés; depois, era despido dos seus farrapos, revestidos com roupa limpa e levados para uma cama bem feita. Camilo queria pessoas que o ajudassem ‘não por um salário, mas que voluntariamente e por amor de Deus servissem os doentes com aquele amor que as mães tratam os próprios filhos enfermos’.
No julgamento final, uma das atitudes destacadas por Jesus para aqueles que entrarão no Reino dos Céus ou serão rejeitados, será o quanto visitaram e assistiram os doentes (cf. Mt 25, 36).
Em nossa diocese, uma das atitudes propostas nesta Quaresma é a de visitar os enfermos! Cada paróquia deverá organizar-se para que todos os doentes sejam visitados, seja pelo padre ou pelos ministros da comunidade. Seria importante que, nesta visita, além do conforto dado pela presença dos ministros, sejam lhes dada a possibilidade de receber os sacramentos da Penitência e da Unção dos Enfermos, que lhes garantem o perdão dos pecados e a assistência divina na enfermidade.
Lembremo-nos que a misericórdia concreta que dispensamos para com o próximo e a ternura para com o próprio Cristo não há distinção. O que fazemos pelos doentes, é ao próprio Cristo que o fazemos.
 
Dom Milton Kenan Júnior
Bispo diocesano

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