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terça-feira, 01 de março de 2016

Artigos

O amanhã de cada um

Como será o amanhã do menino, que descalço e com ar de fome, nariz escorrendo e corpo sujo, que estava sendo perseguido por uma porção de gente, que impiedosamente gritava: “Pega ladrão!” O que acontecerá com aquele garoto, que ao perceber todo aquele povo longe, continuou a comer o pedaço de pão furtado, pois talvez aquela fosse a sua única refeição? Será ele amanhã o ladrão impiedoso, o assaltante cruel?
Como será o amanhã da menina, também de pouca idade, descalça e com ar de fome, nariz escorrendo e corpo sujo, mas que já começa a desenhar formas sob a roupa esfarrapada? O que acontecerá com ela, depois de dormir tanto tempo no chão, ou na sua choça, ou, ainda, junto com outra menina ou menino, ou abraçada ao seu cachorrinho? Será que ela amanhã terá que vender o seu corpo magro, para sustentá-lo, quando não, para sustentar o seu dono real, que a explora?
Como será o amanhã daqueles brutos, que disputam a mesma lata de lixo, catando os mesmos restos, as mesmas frutas podres e carnes repelentes, verduras já deterioradas? O que acontecerá com aqueles pobres que empurram com violência outros pobres, porque a sua fome é maior do que a dos outros? Serão na primeira oportunidade, bandidos impiedosos, revoltados, torturadores?
Como será o amanhã do menino rico e comprado pelos pais, por dinheiro corrupto? Como será o amanhã do garotinho esnobe e domado pela fortuna? Será ele futuramente um bom filho, um bom esposo, um bom pai ou um inútil, delinqüente do colarinho branco, um corruptor de menores, de maiores; corruptores de um país que eles, nunca deixarão ter leis?
Como será o amanhã da menina de posses, rica, crescendo vazia e fútil? Como será que ela viverá, sem ter tido a oportunidade de uma boa formação religiosa, quer porque seus pais não tenham tido tempo de lhe dar “um tempo”, ou porque ela desdenhou, menosprezou uma orientação cristã? Será que o seu amanhã será de tardes pobres de interioridade, junto a mesas de trabalho, ou chás de fofoca, maledicências, futricas sobre a vida das outras mulheres, ou de tardes junto às mulheres voltadas para a benemerência, de preocupação com o esposo, filhos, ou para com os mais pobres de vida?
Como será o amanhã dos indiferentes? Aqueles que poderiam fazer hoje alguma coisa para melhorar isso tudo sobre o que aqui escrevemos e que até agora nada fizeram? Será que eles serão tratados por Deus, com o mesmo carinho com o qual o Pai cuida da grande maioria, ou serão por Ele considerados “mormos” e “vomitados”, para a eterna inquietação?!

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