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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Artigos

O Aborto e a Microcefalia

Com o aumento do número de crianças vítimas da microcefalia, relacionada com o Zika Vírus, há algumas semanas ressurgiu o debate a respeito da oportunidade da “descriminalização do aborto”. Falou-se que nestes casos, seria possível o “aborto legal”, como meio para eliminar os fetos contaminados que estarão por toda vida condenados a conviver com as deformações e sequelas próprias da ação do vírus.
O raciocínio pode parecer correto, mas não é, pois tratam-se de seres humanos, vítimas de um mal que não lhes é exclusivo; ao contrário, também adultos sofrem as consequências da ação do Zika, e hoje há casos que relacionam o Aedes Aegypti a outras enfermidades.
Propor que o aborto seja uma solução para fazer frente à epidemia é correr o risco de cometer e implantar como sistema a eugenia, resultando com isso uma mentalidade discriminatória em que se decide quais que são aptos ou não a viver.
Convenhamos que propor o aborto como alternativa para as mães cujos bebês foram atingidos pela microcefalia é tirar o foco da questão. A Igreja acredita que no momento que vivemos nossos esforços devem se concentrar na prevenção, em debelar o mosquito transmissor, desencadear uma forte campanha de conscientização a respeito dos criadouros das larvas através de políticas públicas que gerem ações que combatam de vez a proliferação da doença.
Com toda certeza, cabe à sociedade amparar estas mães e prepará-las para que possam gerar os seus filhos e cuidar deles. Mas, também cabe ao Estado investir recursos para que no mais breve tempo possível surja uma vacina eficaz capaz de imunizar a população.
Não é a primeira vez que nosso país enfrentou epidemias como esta e soube com competência vencê-las. Agora, não haverá de ser diferente se houver interesse do Estado e colaboração de todos nós!
Mais do que nunca, agora é preciso da nossa parte um Sim à vida! Não vamos permitir que os nascituros sejam condenados à morte por causa da nossa falta de empenho em enfrentar os males que nos cercam. 
A vida é dom sagrado diante do qual nos cabe curvar e reverenciar. Não há motivo algum que permita matar uma vida, pois se eliminamos uma delas colocamos em risco a vida de todos nós!
 
Dom Milton Kenan Júnior
Bispo diocesano

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