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Mas Deus voltará…
Deus veio morar em sua própria casa e armar as tendas no meio dos seus. Os seus, porém, não quiseram recebê-lo: fecharam-lhe portas, janelas e corações – e o obrigaram a emigrar para a terra do Egito.
O pior é que, a mania de expulsar Deus de nossa sociedade e de nossa vida está bem longe de ter saído da moda. Obrigamo-lo a emigrar quando recusamos o amor e damos abrigo ao ódio, quando humilhamos a justiça e exaltamos a injustiça, quando afugentamos a verdade e promovemos a mentira, quando nos tornamos inimigos da paz e amigos da guerra…
Mas, acima de tudo, obrigamos Deus a emigrar na hora em que expulsamos de nossa vida o próprio sangue. Sem pensar que, ao negar-lhe acolhida, socorro e amor, empurramo-lo a se entregar ao desespero, à ladroeira, à droga, à perdição…
Nós mesmos, às vezes, tivemos de saborear o gosto amargo da vida dos migrantes. Tivemos que buscar, não tanto outro lugar geograficamente, quando outras companhias, outras relações sociais. E isso para podermos preservar os valores fundamentais da vida: a fé, a dignidade, a liberdade, a verdade. Enfim, para podermos viver sem necessidade de dobrar o pescoço perante a corrupção, o suborno, a mentira, a imoralidade…
Temos que acreditar: ainda hoje, é possível que Deus seja obrigado a emigrar de nossas famílias, de nossas comunidades, de nossas terras e até de nossas Igrejas… Ele prefere fugir para o Egito – ou ao meio daqueles que nós, com a maior dureza de coração, costumamos marginalizar, isolar, desabrigar e enxotar para terras longínquas.
Não tenhamos dúvidas: ele voltará, sim, ao nosso meio. Porém, na hora em que, nós também, nos decidirmos a voltar: da terra do ódio para a terra do amor, da terra do pecado para a terra da graça, da terra da morte para a terra da vida…