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Misericórdia!
Neste ano em que toda a Igreja é chamada pelo Papa Francisco a entrar pela porta da misericórdia somos interrogados, desde o início, a nos perguntar o que vem a ser a misericórdia?
Na tradição hebraica a palavra misericórdia tem dois significados importantes. O primeiro está relacionado com a palavra rahamin que exprime o apego instintivo de um ser a outro. Este sentimento brota no seio materno, nas entranhas.Nós dizemos: no coração dum pai que ama incondicionalmente o filho (Jr 31,20); é a ternura, que se traduz na compaixão pela dor dos filhos ou na capacidade de perdoar as suas faltas.
O segundo termo utilizado para traduzir a misericórdia, na linguagem hebraica, é hesed, que traduzida designa fidelidade. Não se trata simplesmente do eco de um instinto de bondade, que pode enganar-se, mas algo intencional, consciente, um dever interior, fidelidade a si próprio.
“Na Sagrada Escritura – explica o Papa Francisco – como se vê, a misericórdia é a palavra-chave para indicar o agir de Deus para conosco. Ele não se limita a afirmar o seu amor, mas torna-o visível e palpável. Aliás, o amor nunca poderia ser uma palavra abstrata. Por sua própria natureza, é vida concreta: intenções, atitudes, comportamentos que se verificam na atividade de todos os dias. A misericórdia de Deus é a sua responsabilidade por nós. Ele sente-se responsável, isto é, deseja o nosso bem e quer ver-nos felizes, cheios de alegria e serenos. E, em sintonia com isto, se deve orientar o amor misericordioso dos cristãos. Tal como o Pai, assim também amam os filhos. Tal como ele é misericordioso, assim somos chamados também nós a ser misericordiosos uns para com os outros” (VM 9).
Dar o coração aos que estão na miséria física ou moral é a tradução literal do termo “misericórdia”. É o que Deus não se cansa de fazer conosco, para que aprendamos a fazer com os que sofrem e precisam do nosso amor!
Dom Milton Kenan Júnior
Bispo de Barretos