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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Artigos

Aniversário, sushi, bebes e basquetebol

Ahhhhhhh. O meu aniversário! Enfim, o meu aniversário! O meu dia perfeito, a minha data de celebração, o meu dia mais que especial! Bem, não levando em consideração que fico mais velho, não levando em consideração que se estou mais velho também estou mais cansado, e se estou mais cansado também estou mais sedentário, e se estou mais sedentários também estou mais suscetível à doenças e se estou mais suscetível à doenças eu também… eieiei, “pó para” por aqui! Onde estava mesmo? Ah sim, o meu aniversario! Ah, que dia mais feliz! No melhor estilo propaganda de margarina! Família à mesa, beijos e abraços, o telefone que não para nunca de tocar e chocolates! Muitos chocolates! Mais especial ainda é completar 30 anos. Uma transição da vida, uma nova fase cheia de descobertas! 
Ate mesmo se você já é pai. Ah, ser pai e ser aniversariante! Que aventura intrigante! Para dar inicio às celebrações, saímos para comer um peixe um dia antes do dia “mais que dia feliz”! Na mesa, enquanto aguardamos as porções, meu filho mais velho já dá o sinal de alerta: o sono bate à porta! Ate ai tudo bem, afinal de contas, quem jamais sentiu sono em uma mesa com dois “velhos” chatos e quadrados falando de trabalho, negócios, e todos assuntos excitantes do mundo dos adultos? 
Mas então percebo que nossa linda bebezinha, de apenas 1 ano e alguns meses (eu nunca acerto a quantidade de meses) está com o mesmo sono! E olha que ela não acorda às 6 horas da manha! Uma vez bebe com sono, uma vez “encrencados”! Logo começam as birras. E não somente as birras, mas guardanapos, palitos e torradas com molho rose arremessadas ao chão! Das mesas ao lado, pessoas contemplam aquela adorável cena do cotidiano familiar! São casais sem filhos de vinte, trinta, quarenta, cinquenta, sessenta, e cento e dez anos! (onde estariam todas outras crianças do planeta?) O clima de romance está no ar! Ou estava, ate a Lívia começar a chorar. Entenda. Ela adora comer torradas com molho roseque passearam no chão sujo (sua mãe é totalmente contra esta ideia). Indignado com os olhares alheios, penso em me levantar no meio do restaurante e gritar: “Ela está com sono, por isso fica enjoada e faz birra! Será que vocês não entendem nada sobre bebes”?!Mas ao invés disso, me abaixo para pegar mais uma torrada no chão! No dia seguinte, acordo com o peso dos 30 anos sobre as minhas costas. De prima, topo fazer um passeio de bike com meu filho. 
Nada como contemplar a brisa suave soprando sobre nossos rostos! Da brisa suave, percebo que o sol escaldante se sobrepõe a qualquer tipo de “brisa suave imaginaria”! Logo começam as dores nas costas, nos braços, nas pernas, nos pés, nos dedos dos pés, nos dentes (lembro que tenho uma carie para tratar na segunda-feira)! Com as vistas embaçadas e as pernas trôpegas procuro um copo de agua em algum estabelecimento da cidade cujo proprietário seja um tanto quanto generoso. 
Consigo a agua, mas as dores permanecem pelo restante do dia! Mas o melhor estava reservador para a noite! Nada como encerrar a jornada do meu aniversario em um restaurante japonês, desses de comida japonesa, de dono japonês, e de musica japo.. a, a musica nunca é japonesa ou ninguém suportaria! À caminho do “japa”, já sinto o duro golpe da desesperança. 
O medo e a incerteza me cercam. Saberia minha linda bebezinha de 1 ano e meses comer com os famosos“haxis” ? Ou esses palitos de dentes tamanho família terminariam enfiados em outro lugar (nariz ou orelha) menos na boca? Estaria em risco a integridade física da minha família, e o sossego e a paz das outras famílias? À caminho do japa, minha primeira surpresa: chuva! Quanto tempo aguardava por esta chuva. 
Olho para os céus e agradeço à Deus. Sinto como o melhor presente que recebi neste aniversario! Era um sinal. Isto indicaria que algo seria diferente. À caminho do japa, minha segunda surpresa: a bebezinha dormiu! O que isto significa? Paz? Sossego? Tranquilidade em um jantar romântico à 3 ( ainda está conosco meu outro filho maior com cara de sono) ? Nada disso. Veja. Em total desespero, eu e minha esposa avançamos no rodizio como típicos refugiados da guerra. O medo do despertar da pequena gigante nos impulsiona aos sushis, sashimis, triplo-x. 
Após uma hora comendo compulsivamente, nossa pequena enfim abri os seus belos e delicados olhos! Como em um lance final de um jogo de basquete norte americano, arremesso o ultimo sushi de banana com chantilly em minha boca! 
O juiz apita! Que belo lançamento livre! Cesta! Ponto! Strike! Fim de jogo! Enfim, 30 anos, e agora completos! Isto você não esperava caro leitor, mas a vitória é nossa. Ao chegar em casa, uma ultima surpresa me aguardava. A janela do escritório estava aberta. Lembra-se da chuva? O computador, papéis, receitas médicas (para dor nas costas por causa do passeio de bike) e outros documentos… todos de baixo d´agua. Maldita chuva! Feliz aniversário!  
 
 
 
Levon de Araujo Coutinho, estudante de teologia em cursos livres.

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