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domingo, 25 de outubro de 2015

Artigos

Necessidades básicas

Abraham Maslow, psicólogo americano, ficou mundialmente conhecido pela propositura da “hierarquia de necessidades”, também conhecida como “pirâmide de Maslow”. Trata-se de uma divisão hierárquica em que as necessidades de nível mais baixo devem ser satisfeitas antes das necessidades de nível mais alto. O psicólogo define um conjunto de cinco necessidades que são descritas no modelo piramidal. 
Na base da pirâmide se encontram as necessidades fisiológicas (1), tais como a fome, a sede, o sono, a excreção. Imediatamente acima dessas, as necessidades de segurança (2), que vão desde o se sentir seguro dentro de um local, até formas mais elaboradas de segurança, como um emprego estável ou um plano de saúde. Logo depois vêm as necessidades sociais (03) ou de amor, afeto, atenção e sentimentos tais como os de pertencer a uma família, grupo ou desenvolver amizades. Seguem-se as necessidades de estima (4) que envolvem a confiança, o respeito, o reconhecimento de nossas capacidades pessoais e também dos outros face à nossa adequação às funções que executamos. Por fim, no topo da pirâmide, encontram-se as necessidades de autorrealização (5), através das quais a pessoa procura se tornar aquilo que tem potencial para ser. Envolvem a moralidade, a espontaneidade, a criatividade e a solução de problemas, entre outros.
Dias passados, enquanto participava de um estudo bíblico com meu esposo, verificamos que Jesus, mesmo sem ser contemporâneo de Abraham Maslow, parecia ter conhecimento da sua “hierarquia de necessidades”. No Evangelho de Marcos (Mc 6.7) Ele começou a enviar seus discípulos para pregarem. Ao retornarem, contaram-Lhe tudo; tanto o que tinham feito como o que tinham ensinado (Mc 6.30). O Mestre, no entanto, lhes disse: “Vinde vós, aqui à parte, a um lugar deserto, e repousai um pouco”. Pois, havia entre eles os que iam e vinham, e não tinham tempo sequer para comer (Mc 6.31). Ora, Jesus parecia ter conhecimento da precisão em se atender primordialmente as necessidades fisiológicas. Sem comer ou dormir, possivelmente os apóstolos sucumbiriam ao peso de suas responsabilidades.
Muitos desconsideram essas necessidades básicas de descanso, alimentação, lazer… Elas são imprescindíveis para o bom funcionamento do nosso corpo e, por extensão, da nossa alma e espírito. Jesus pediu aos discípulos que primeiro descansassem, para que depois lhe contassem tudo quanto tinham feito e ensinado. Decerto falaram sobre as coisas favoráveis e desfavoráveis que lhes aconteceram; as alegrias com o resultado de suas pregações e também as tristezas frente a possíveis fracassos, tendo em vista, tratar-se da primeira obra de evangelização deles.
Jesus provavelmente lhes confortou, incentivou, parabenizou, possibilitando assim, atender suas demais necessidades: sociais, de estima e autorrealização. Mas, ressaltamos que a primeira preocupação do Mestre foi com o bem estar material dos discípulos. Ele certamente sabia que os seus haviam Lhe obedecido em tudo quanto lhes havia dito (Mc 6.7-13) e que provavelmente a jornada não havia sido nada fácil. Cuidar do corpo é cuidar do próprio templo do Espírito Santo (1Cor 6.19).
Muitos descuidam do corpo, da saúde, da alimentação, do necessário descanso… Exigem disciplina espiritual de um corpo indolente e preguiçoso ou exausto e dolorido. A hierarquia de necessidades prevê atenção àquilo que é básico inicialmente, para que possamos atingir níveis mais complexos e aprofundados. Assim, estruturemos nosso corpo físico inicialmente, para que através dele posteriormente possamos alcançar progressos espirituais.
 
* Texto escrito com o auxílio de meu esposo: Pr. Missionário André Luiz Aparecido dos Santos (Alas Santos).
 
 
Maria Regina Canhos (e.mail: mariaregina.canhos@gmail.com) é escritora.

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