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EMPREENDEDORISMO SOCIAL E SUSTENTABILIDADE: “ERA UMA VEZ NO BRASIL”
Por volta da década de 90, o Brasil se depara com um considerável aumento das iniciativas voltadas às causas sociais desenvolvidas diversos tipos de organizações como: empresas privadas, ONGs, instituições públicas entre outros. Tais acontecimentos explicam-se pelo cenário até então existente, caracterizado pelo nível baixo de investimento governamental no campo social, pela inflexão no mercado de trabalho, pelo alto aumento do nível de pobreza e disparidade social e pela lenta evolução dos patamares de desenvolvimento humano do país. Neste período observou-se um aumento do número de organizações do terceiro setor e o ganho de espaço das formas de organização alternativas ao mercado trabalhista formal, onde se afloravam práticas de gestão social. Esses acontecimentos deram início ao desenvolvimento da chamada economia solidária, também chamada desocioeconômica solidária que, de acordo com estudiosos da área, embasa-seem sistemas de autogestão, cooperativas de gestão inovadora, produções conveniadas de diversos tipos, além de iniciativas organizadas com fins coletivos. A economia solidária demonstra-se como um fenômeno social e engloba a organização e movimentos sociais visando a promoção e geração de renda, distribuição de riquezas, produção e consumo derivados de sistemas de autogestão. Consolida-se no associativismo e também no cooperativismo, envolvendo a administração e o gerenciamento dos mecanismos de produção de forma democrática, com igualdade de direitos e de responsabilidades. É frente a esse contexto que se desenvolvem diferentes ações de protagonismo social que deu destaque a figura do empreendedor social, indivíduo que assume o papel de agente de transformação, que a partir de uma colocação visionária e inovadora, procura idealizar e promovermecanismos que proporcionem o bem-estar social e a exclusão de indivíduos das condições sociais de risco. É a pessoa que possuí uma visão do coletivo, contrariando os paradigmas capitalistas da visão individual, que faz do inconformismo uma arma para desenvolver estratégias para o desenvolvimento humano.
O empreendedorismo social insere-se neste novo paradigma da economia, a socioeconômica solidária, e alicerça-se na contribuição efetiva e permanente de empreendedores sociais inovadores cuja atuação na área social proporcionadesenvolvimento sustentável, melhoria de qualidade de vida e mudança de paradigma de atuação em benefício de comunidades desprivilegiadas.
Os movimentos de empreendimento social no Brasil foram essenciais para as atuais e singelas melhoras nos últimos IDHs. Estes movimentos, muitos liderados por populares,possuem impactos locais, atuam muitas vezes, causando melhora significativa no seu entorno.
Ao observar-se a história brasileira referente a assistência governamental às populações menos favorecidas, pode-se verificar uma série de expressivas lacunas, que em diversos momentos foram preenchidas por ações oriundas do empreendedorismo social. Esses acontecimentos não transferem a responsabilidade do poder público, mas demonstra sim, falhas e ou descaminhos de procedimentos até então de responsabilidade do mesmo.
Dessa forma vale salientar que independentemente do número de ações sócio empreendedoras que exista em um país, estado, cidade ou comunidade, a mesma não deve suprir a atuação governamental, como muitas vezes pode ser visto no Brasil, mais sim atuar de forma complementar.
Eduardo de Carvalho Machione. (Graduado em Administração/UNIFEB – Especialista em Gestão de Negócios/USP – Mestre em Tecnologia Ambiental/UNAERP) Coordenador de Pesquisas da Faculdade Barretos. Docente da Faculdade Barretos.
machione@colina.com.br