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O SENTIDO DA VOCAÇÃO
A Igreja celebra, em agosto, o mês das vocações. Não apenas as vocações sacerdotais, mas de toda pessoa chamada à santidade. Num mundo tão secularizado, de ceticismo e pluralidade cultural, perdemos, muitas vezes, o sentido daquilo que é são, especialmente na dimensão espiritual. Como lembra Dom Fernando Rifan, “O mês de agosto é o mês das vocações, especialmente as sacerdotais, pois nele se comemora o dia do padre, dia de São João Maria Vianney, o Cura d’Ars, patrono dos párocos e modelo para todos os padres do mundo.” E explica que “vocação vem do latim ‘vocare’, chamar. É um chamado de Deus para uma vida a ele consagrada. A vocação sacerdotal é um chamado de Deus para a vida no sacerdócio, cujo carisma especial é a dedicação ao ministério do culto divino e da salvação das almas. Jesus mesmo nos mandou rezar pelas vocações: ‘Ao ver as multidões, Jesus encheu-se de compaixão por elas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse aos discípulos: ‘A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois ao Senhor da messe que envie trabalhadores para sua colheita!’ (Mt 9, 36-3)”. A vocação religiosa, portanto, numa sociedade tão dessacralizada, passa a ser valorizada, por aqueles que tem o verdadeiro sentido da vida, em toda sua amplitude. Daí que devemos rezar pelas vocações sacerdotais, para fortalecê-las em sua missão, para que cada vocacionado tenha uma vida de coerência com a sua missão.
Não apenas na dimensão religiosa, mas o mistério da vocação é estendido a toda pessoa, ao pai e mãe de família, ao estudante, ao trabalhador, ao artista, enfim, o chamado que cada um recebe para desenvolver os dons recebidos em favor da vida, da sociedade e do próximo. Quando cada um procura responder a este chamado com solicitude, levando a sério o que faz, estudando, a fundo, e atuando na sociedade dando o melhor de si, a partir das suas qualidades pessoais, em atenção ao chamado a ser enquanto pessoa, então está correspondendo assim à sua vocação. O maior desafio hoje, no mundo globalizado, principalmente no campo profissional, é vencer os condicionalismos do tecnicismo, para que a atividade do trabalho não seja esvaziada de seu sentido humano, pois a vocação requer quer manifestemos sempre o que é humano.Dai que não podemos permitir que astecnologias (que estão a serviço da vida) possam obscurecer as manifestações daquilo que é humano naquilo que fazemos, seja no campo pessoal ou profissional. Quando deixamos nos dominar pelo tecnicismo, podemos até fazer muitas coisas mecanicamente corretas, mas sem expressar os princípios e valores humanos e, portanto, ficando sem sentido, muitas vezes, o que nos propomos a fazer. Daí ser importante estarmos atentos ao equilíbrio da utilização da técnica com a promoção do que é humano, em nossas ações.
Quando falamos em vocações, sejam religiosas de qualquer Religião ou as demais vocações, queremos ressaltar o chamado que cada um de nós tem a ser pessoa que realiza o bem.O sentido da vocação está nisso: em buscar atender este chamado de vida, que só com a graça de Deus, podemos encontrar o discernimento que se faz necessário, para que possamos melhor corresponder aos dons recebidos.
Valmor Bolan é Doutor em Sociologia e Especialista em Gestão Universitária pelo IGLU (Instituto de Gestão e Liderança Interamericano) da OUI (Organização Universitária Interamericana)