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domingo, 16 de agosto de 2015

Artigos

E OS SEPARADOS?

No Evangelho Segundo Marcos (10, 2-16), Jesus manifesta-se expressamente contrário ao divórcio e ratifica o sagrado valor do matrimônio: “o que Deus uniu o homem não separe”. Considerando que o desejo de Deus é salvar toda pessoa e que a missão da Igreja é colaborar com Jesus na realização dessa obra, ultrapassemos o simplismo e o rigorismo.
Os homens e mulheres que, buscando ser verdadeiramente felizes, assumiram o matrimônio sob as bênçãos da Igreja e que, por razões às quais não nos cabe julgar, não se mantiveram fiéis ao compromisso firmado, tiveram sua maior alegria transformada em maior dor, jamais esquecida ou superada, por mais que se busque outras alternativas. Algumas considerações importantes no ajudam a refletir:
– É inegável o valor sagrado do matrimônio e da família enquanto caminho que colabora para que o ser humano cresça integralmente; 
– O vinculo do matrimônio, para ser definitivamente estabelecido, supõe condições intrínsecas aos nubentes (noivos). Não cumpridas estas condições, mesmo que haja o rito, o matrimônio, em sua essência, não aconteceu. Se comprovado, através de procedimentos jurídicos eclesiásticos, o ato é declarado nulo pela Igreja e os envolvidos, estão livres para efetivarem uma união de forma válida; 
– A realidade da separação não diminui a dignidade humana ou cristã, nem exclui a ninguém da Igreja. Estabelecida a comunhão espiritual indissolúvel através do matrimônio, quebrar esta comunhão, estabelecendo outro vínculo, fere profundamente o compromisso de fé assumido, fere a comunhão, tornando inconciliável, inclusive, a Comunhão Eucarística.
Esta realidade propõe ao homem e mulher que assuma a condição na qual se encontra diante da fé que professa e da postura de vida que assume. Consciente da própria condição, o cristão católico que vive o drama da separação ou que contraiu outro vínculo, é convidado a lançar-se, confiante, nos braços do Pai e da Mãe-Igreja, buscando fazer, acima de tudo, a experiência do Seu amor pela via da misericórdia.
Ao final do referido Evangelho, Jesus expressa cuidado e atenção às crianças. A criança tem plena confiança no amor e bondade dos pais, sabendo e sentindo que, mesmo que erre, os pais não deixarão de amá-la. Deus Pai e a Mãe Igreja sabem que erramos, nos advertem, mas não nos confundem com os erros que cometemos.
Esta leitura permite-nos contemplar, com clareza, a ação amorosa de Deus, através de Jesus, assim como, a missão da Igreja, mãe espiritual de muitos filhos, dentre os quais, os que vivem o drama da separação e os envolvidos em tantas outras situações que exigem mais que um olhar criticista e condenatório, um olhar de amor e misericórdia.
 
Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado em Psicologia
ivanpsicol@hotmail.com

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