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domingo, 09 de agosto de 2015

Artigos

A Produtividade, a Educação e a Economia Brasileira

Para que a economia brasileira cresça mais rápido e de forma duradoura, uma alternativa viável é o aumento da produtividade. O parâmetro econômico brasileiro é baixo na comparação internacional e o fator educação também se trata de um ativo a ser trabalhado no âmbito de melhora conjunta.
Em 2013, cada trabalhador brasileiro produziu, em média, o equivalente a US$ 20 mil. No mesmo período, o trabalhador sul-coreano fez o triplo.  O desempenho do alemão foi melhor ainda, quatro vezes, e o americano produziu cinco vezes o que fez o brasileiro. 
O crescimento da economia do Brasil nos últimos anos não foi suficiente para a produtividade do país melhorar e igualar o desempenho conseguido por outros emergentes. A economia brasileira cresceu nos últimos anos em um ritmo mais forte do que a produção média por trabalhador. O ritmo de oferta de trabalho está um pouco mais lento, e precisa-se de um aumento substancial da produtividade para retomar o crescimento sem gerar inflação, que como se sabe, está acima das metas estabelecidas.
A produtividade média do brasileiro subiu 0,4% por ano no período entre 1996 e 2005, bem abaixo do que conseguiram os outros países que formam o BRIC (Rússia, China e Índia). No grupo dos emergentes, todos apresentaram desempenho melhor: Rússia, com expansão média da produtividade de 3,8% por ano, Índia (+4,3%) e China (+7,1%), além de México (+1,4%), Indonésia (+1,1%) e Turquia (+4,6%).
A produtividade dos brasileiros melhorou entre 2006 e 2011, quando, na média, o indicador subiu anualmente 2%. Mesmo com essa reação, o ritmo continuou aquém do observado em outras grandes economias emergentes: Rússia (+3,4%), Índia (+5,9%), China (+10,4%) e Indonésia (+3,1%). O desempenho brasileiro, porém, foi melhor nesse período que o da Turquia, que cresceu média de 1% por ano, e o do México, com expansão anual de 0,5%.
No fim desse segundo período, a produtividade brasileira começou a desacelerar. Em 2012, o índice brasileiro cresceu 0,7%, abaixo da média de 5,9% dos emergentes e também inferior a todos os outros países da comparação. Em 2013, o índice teve queda de 0,3%.
Tudo isso está associado à qualidade da educação brasileira, que tem melhorado, mas não no patamar e na velocidade necessária, de que se precisa. Cada vez mais, a competição vai ser em função de trabalhadores mais qualificados e de estratégias empresariais com maior força na atividade inovativa.
Setores públicos essenciais como a educação, em que o Brasil tem uma das maiores proporções do orçamento dedicado à educação do mundo (5,4% do PIB. Fonte: OECD) e um dos piores desempenhos em qualidade, massificação do ensino fundamental, nível das universidades, número de patentes, percentual de pessoas em atividades de P&D etc, em muito se beneficiaria de um choque de produtividade. Do mesmo modo a saúde, cujo nível de ineficiência (e má qualidade) é visível para quem usa o sistema público ou para quem paga diretamente o caro sistema privado, apesar da dedicação crescente de recursos. Ou seja, em ambos os casos, se gasta cada vez mais e obtêm-se muito pouco do ponto de vista do usuário do sistema (cliente).
Um outro ponto a destacar-se é com relação ao sistema tributário nacional, é preciso insistir na criação de um sistema tributário mais racional e que não desperdice recursos, como forma de aumentar a eficiência da economia brasileira.
Uma das formas de dar agilidade ao setor privado é encontrar uma forma adequada de padronizar a alíquota interestadual de ICMS. Isso evitaria que as empresas optassem por montar uma operação em determinada localidade apenas por causa dos benefícios fiscais, em vez de critérios logísticos e operacionais.
O aumento da produtividade é a saída para recuperar a economia, pois as condições macroeconômicas já estão desfavoráveis. Os sinais de dificuldade já são bem aparentes, como a queda do ritmo de enriquecimento populacional, ao mesmo tempo em que ela está ficando mais velha.
Mas, para elevar a produtividade, é necessário que as empresas e o governo invistam na produção e em educação. De acordo com relatos governamentais anteriores, a ideal condução e investimentos em processos educacionais e produtivos que determinará o patamar de crescimento futuro. No entanto, cabe a população fazer sua parte, investindo em seu próprio desenvolvimento através, principalmente, da educação.
 
Luiz Fernando Machado. (Graduado em Administração/UNIP e Ciências Contábeis/USJT – Especialista em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria/FGV e Engenharia Farmacêutica/INST. RACINE – Mestre em Engenharia de Produção/UNIARA). Coordenador dos cursos de Administração e Ciências Contábeis da Faculdade Barretos. Docente da Faculdade Barretos.
luizfernando@unibarretos.com.br
 
Eduardo de Carvalho Machione. (Graduado em Administração/UNIFEB – Especialista em Gestão de Negócios/USP – Mestre em Tecnologia Ambiental/UNAERP) Coordenador de Pesquisas da Faculdade Barretos. Docente da Faculdade Barretos.
machione@colina.com.br

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