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Cuidados com a saúde da criança após adoção em qualquer idade
Os pais devem ficar atentos aos aspectos físicos e emocionais
Adotar uma criança é acima de tudo um ato de amor e de muita responsabilidade por um novo ser que passa a fazer parte da família. Para que a adoção ocorra com tranquilidade, os pais, ou o responsável, devem estar comprometidos e certos dos motivos que os levaram à decisão. Essa questão é de extrema importância para que as crianças e adolescentes cresçam em ambientes saudáveis e harmoniosos.
Segundo a legislação brasileira, qualquer pessoa (homem ou mulher), independentemente do estado civil, maior de 18 anos pode adotar uma criança, desde que tenha uma diferença de idade de 16 anos com ela.
Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelam que há 33,5 mil pretendentes e mais de 5 mil crianças e adolescentes que aguardam por uma família no Brasil. Do total de aptos para adoção, pelo menos 20% ou cerca de 1.200 deles registram algum problema de saúde, de acordo com o levantamento do Cadastro Nacional de Adoção (CNA).
O estudo, divulgado no ano passado, indicou que muitas sofrem de doenças tratáveis, enquanto outras de doenças não tratáveis. Há crianças e adolescentes com deficiência física e outras com deficiência mental, além de portadores do vírus HIV. Do total de interessados, apenas 8% não fazem restrição quanto à condição de deficiência do adotado. A pesquisa ressalta a necessidade de haver maior conscientização dos pretendentes.
“Outra realidade que chama a atenção é o grande número de crianças colocadas para adoção que tem pais dependentes de álcool e outras drogas. Essa situação também pode acarretar problemas de saúde. Mais um ponto a se observar é que as crianças e adolescentes passam parte da vida em abrigos, às vezes, sem condições adequadas. Portanto, é importante que os pais adotivos tenham essa atenção”, afirma o Prof. Dr. Paulo Taufi Maluf Júnior (CRM/SP 21.769), pediatra do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas e do Hospital Sírio-Libanês.
O médico explica que, no caso de recém-nascidos, é desejável ter informações quanto ao teste do pezinho, exame que detecta diversas doenças, mas que dificilmente acompanham a criança que vai para adoção, bem como é pouco habitual que se conheça os dados perinatais relacionados a peso, altura e condições do parto. Raramente também há registros pré-natais para que se saiba se a mãe teve alguma doença.
Portanto, a primeira visita ao pediatra é fundamental para avaliação da existência de distúrbios congênitos, do estado atual de saúde da criança – com ênfase às condições nutricionais – e de outras situações que o exame físico pode detectar. Cabe também ao pediatra solicitar exames complementares que sinalizem eventuais carências nutricionais e infecções prévias ou adquiridas na gestação como, por exemplo, toxoplasmose, citomegalovirose, rubéola, sífilis, hepatites e HIV.
“A tuberculose é outra doença que precisa ser investigada, especialmente, se a criança for filha de pais usuários de álcool e outras drogas ou se houver referência de que ela viveu em moradias insalubres”, alerta o pediatra Paulo Maluf. No que diz respeito às vacinas, todas as doses indicadas devem ser administradas, a menos que haja dados confiáveis de que a criança já foi vacinada contra determinada doença.
“Os pais adotivos, ou o responsável, se deparam ainda com a questão emocional e a reação das crianças frente ao conhecimento de que foram adotadas. Não há um momento certo para revelar a adoção, a única certeza é de que a história da criança deve ser contada pelos pais adotivos que, caso necessitem, podem pedir o auxílio de um psicólogo ou psiquiatra especializado em crianças”, orienta o Dr. Paulo Maluf.
Por Claudia Gouvêa com informações do Conselho Nacional de Justiça