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domingo, 05 de julho de 2015

Artigos

E A BIRUTA SUMIU

Bom Dia Barretos. 
Levei um susto, quando ainda de madrugada, o telefone tocou. Logo pensei no hospital, ou em algo grave, senão algo inusitado, dado a hora da ocorrência. Ainda com a voz meio sonolenta disse: alo? E, do outro lado uma voz preocupada relatou: – Você soube que a biruta sumiu?  Confesso que não entendi nada e então retruquei: – Quem está falando? Que biruta sumiu? Sumiu donde? Sem responder nada, talvez achando que eu não estava interessado em saber do destino da biruta, desligou o telefone abruptamente. Pensei, com os meus botões: acho que é um trote. 
Virei para um lado depois para outro e nada do sono voltar. Fiquei então a meditar: Que biruta? Qual biruta? Por um tempo, trabalhei no  Sanatório Dr. Mariano Dias, mas não me lembro de nenhuma paciente biruta ter por lá passado. Quando ainda era estudante me lembro de uma jovem que, no centro acadêmico circulava incessantemente pelo salão e a quem denominávamos de birutinha. Mas, não, não poderia ser ela, pois eram lembranças do Rio de Janeiro, e quem me chamou foi um amigo aqui de Barretos. Ainda bem que a noite acabou. 
Os primeiros raios de sol, pela manhã, me encontraram procurando o meu interlocutor noturno para completar as informações. Depois de algum tempo de conversa explicou-me ele, que a biruta a que se referia, não era um ser humano, era outro tipo de biruta. Havia sumido a biruta do campo de aviação, aquela que gira conforme os ventos e nos dá a direção para onde o vento sopra. Meio sem entender o “por que” de tanta preocupação inquiri: – Mas, meu amigo, telefonar de madrugada para dizer que a biruta do campo de aviação sumiu? Ora é só adquirir outra e pronto. – Você não está entendendo nada, retrucou. – A biruta sumiu do campo de aviação e ninguém sabe explicar como, se instalou na prefeitura. – O que? Agora sou eu que estou ficando biruta, não estou entendendo nada.
– Calma, disse meu amigo. Vou explicar-lhe com detalhes. Só mesmo guiado pela biruta dos ventos, poderia a administração pública de Barretos, alegando motivo de economia, tomar a decisão de suspender os exames feitos no laboratório do postão para contratar um laboratório particular para fazê-los. – Bem, isso são águas passadas já me posicionei e emiti minha opinião a respeito. Tal fato em si não justifica a biruta de que você fala. 
– Pois bem meu amigo, veja se tenho ou não razão. Para administrar e colocar a UPA em funcionamento, abriu-se edital com a finalidade de  contratar organizações sociais de outras cidades e até mesmo de outros estados. Tais organizações não conhecem Barretos, muito menos nosso povo e nossos costumes e vêm para ganhar dinheiro. Será que a prefeitura não tem ninguém com capacidade de gerir a UPA por conta própria e, com isto, gastando-se menos e prestando um serviço melhor?
– Bem, retruquei, você não deixa de ter razão, mas só isso também não justifica a história da biruta. 
– Ah, não! Então veja essa outra. O senhor Prefeito assinou um decreto dando poderes para a comissão de intervenção na Santa Casa adotar medidas de ordem técnica, administrativa, jurídica e financeira, inclusive com plenos poderes para realizar operações de credito e alienações de bens móveis e, ou imóveis e demais patrimônios necessários, “sem a necessidade de prévia aprovação da assembleia geral”. Um absurdo meu amigo, creio mesmo que é uma aberração jurídica. Mas, o decreto diz mais: estabelece a destituição da diretoria executiva, conselhos e comissões do hospital, e dá plenos poderes para o interventor convocar assembleia geral sempre que houver necessidade de alterações do estatuto social da Santa Casa. Ainda duvida de que a biruta se instalou no prédio da prefeitura?
– Perdoe meu amigo, me dê um tempo, porque agora quem ficou biruta momentaneamente fui eu. Nenhum hospital pode funcionar sem ter suas comissões eleitas pelos seus pares e nenhum decreto tem o poder de  extingui-las. Você sabe que sempre fui adepto de transformar a Santa Casa em hospital escola. Defendi em meus artigos e até pelos microfones da radio Jornal, que a Santa Casa deveria ser transformada em Hospital Regional, que infelizmente, por falta de ação política, perdemos para Bebedouro; ou em Hospital Escola, mas tudo sendo feito dentro dos tramites legais. Pelo que você me relata concordo plenamente, de que a biruta talvez tenha se aninhado no prédio da Prefeitura. Queira Deus que um vendaval ou quem sabe, apenas um redemoinho possa arrancá-la de lá, para que as decisões sejam tomadas depois de devidamente analisadas e juridicamente aprovadas. Assim se evitará questionamentos jurídicos futuros, atenderá a necessidade do nosso povo e não apenas a direção dos ventos, os mesmos ventos que impulsionam a biruta sumida.  
 
BOM DIA BARRETOS.

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