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domingo, 28 de junho de 2015

Artigos

DESCENDO A LADEIRA

Bom Dia Barretos. 
Diante de mais um episódio negativo, como o fechamento do laboratório de analises clinicas, do Centro de Saúde de Barretos, o “postão”, veio-me à memória uma musica cantada por Baby do Brasil, e que dizia: “Lá vem o Brasil descendo a ladeira, quem desce do morro, não morre no asfalto….”. Claro, que era outro o sentido, mas senti um aperto no coração. 
Confesso que é com muita tristeza que vejo Barretos continuar descendo a ladeira, deixando escapar pelos dedos das mãos, as grandes conquistas do final do século passado e primeiro quadriênio deste. Me recordo da luta pela implantação da 13ª. Região administrativa e do esforço hercúleo para convencer os 23 municípios, que Barretos seria uma sede envolvida em tratar a todos com a mesma atenção, carinho e oportunidades. E, a 13ª Região Administrativa foi se firmando, a ponto de outros municípios desejarem deixar as regionais de Rio Preto e Ribeirão para pertencerem à de Barretos. E o nosso atendimento era diferenciado, lutávamos com muito afinco para que, não só nossas revindicações fossem atendidas pelo governo, como, com a mesma presteza, as revindicações da região. Barretos começava a subir a ladeira, e se tornava, por suas atitudes, uma nova esperança política no horizonte. Internações, órteses e próteses, entre tantas outras revindicações eram prontamente atendidas. Convocação da região para vir receber aparelhos auditivos, perna mecânica, cadeiras de roda especial, ou retirar medicamentos se tornaram rotina. 
A fama da regional de Barretos começou a se espalhar pelo Estado. Eu e minha equipe vibrávamos com cada conquista, por menor que fosse, e recebíamos os elogios com a satisfação do dever cumprido. Acabou 2.004 e uma nova filosofia de governo se instalou. E então, com muita tristeza digo isso, começamos a descer a ladeira das cidades ícones do país. Perdemos a regional de policia, a regional do DER entrou em hibernação, as regionais da promoção social e do trabalho entraram na burocracia brasileira, o escritório regional de governo virou peça decorativa, o nosso aeroporto voltou ao estagio de campo de aviação, ao mesmo tempo em que o atendimento político aos senhores prefeitos, escorregava para debaixo do tapete. Fomos gradativamente perdendo espaço e prestigio junto ao governo estadual. Mas, agora acho que estamos com aquela noticia que Boris Casoy, ao dá-la, terminaria dizendo: ISSO É UMA VERGONHA. 
Há muitos e muitos anos, Barretos tinha um laboratório de análises clinicas no centro de saúde que era modelo, era uma extensão do ‘Lutz”. Funcionava, e muito bem, desde a época em que o centro de saúde era no cruzamento da avenida 23 com a rua 14. Os anos foram passando e o laboratório servia para dirimir qualquer duvida dos resultados de outros laboratórios. Os funcionários tinham orgulho do que faziam. Com a construção da nova unidade na praça nove de julho, o estado fez questão de construir uma área só para o laboratório e equipá-lo a altura. Todos os funcionários eram do estado.
Pois bem, aí a prefeitura resolveu municipalizar o postão. O laboratório continuou funcionando normalmente, e ainda era de uma das raras ancoras a sustentarem a nossa região administrativa. Tínhamos recebido o prédio, os equipamentos, os funcionários, que continuaram pagos pelo estado, e ainda recebíamos os kits para fazer os exames. Tudo “de mão beijada” e um belo serviço vinha sendo prestado. Agora, sem mais nem menos, resolveram fechá-lo. Bem os ingleses diriam: It’s a shame, ou seja, isso é uma vergonha. Continuamos ladeira a baixo. Pararam de atender os municípios da região, e o atendimento aos nossos munícipes foi terceirizado. It’s a pity, diriam os ingleses, ou seja, é uma pena. 
Dizer que é por economia! Salve-me DEUS! Nem por economia porca se joga um atendimento referencial na lata de lixo e com ele também uma das raríssimas ancoras a justificar a região administrativa. Preciso retornar urgentemente à escola, voltar a prender a nova matemática, a matemática que possa explicar como fazer exames em prédio próprio, com funcionários pagos pelo estado, com quites cedidos pelo governo, sem pagar impostos fica mais caro que contratar um laboratório particular para fazê-los.
Com o coração amargurado e minha alma em prantos digo, com muita tristeza, aproveitando o refrão da música cantada por Baby do Brasil e também por Morais Moreira, lá vem Barretos descendo a ladeira. Que o Espírito Santo, padroeiro de nossa cidade, possa iluminar nossos dirigentes para que Barretos retome, com as dificuldades naturais, a subida da ladeira rumo a dias melhores.
BOM DIA BARRETOS.  

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