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domingo, 21 de junho de 2015

Artigos

EM NOME DE QUEM?

A reflexão do texto bíblico despertou a pergunta: é possível que alguém faça algo bom movido pela força do mal?  No Evangelho de Marcos, Jesus é acusado de agir em nome de Belzebu, um espírito do mal. 
A literatura apresenta Belzebu como o deus da morte, da crueldade e das pestes, o terceiro demônio mais poderoso. A palavra espírito significa sopro, vento, força, realidade que pode ser direcionada positva ou negativamente.  Interessante a possibilidade de que obras boas aconteçam sob o impulso do mal. Os acusadoress pertencem ao grupo dos fariseus, ao qual Jesus incomoda; eles negam a possibilidade de Deus agir em Jesus, pelo fato de Ele não ser doutor da lei; eles explicitam também que, uma das estratégias do mal, é levar as pessoas a promover obras boas que não promovem o bem.
Mais importante que fazer ou ser beneficiado por uma obra, é ser sensível para reconhecer sua essência, qual sopro, vento ou força, qual espírito, está em sua orgiem.  A força que move o ser humano, a partir do interior, mobiliza razão, sentimentos, capacidades e dons em favor de sua causa e obras. Fundamental considerar a diferença entre o bom e o bem.
Para aumentar as fileiras dos seus discípulos, a força do mal satisfaz gostos, vaidades, prazeres e interesses, possibilitando que, facilmente, tenhamos o que queremos; nos amarra por dentro e por fora, pelo pensamentos, sentimentos, afetos, convensões, dependências; nos move a cometer o pior nível de adúltério, a auto-traição; nos divide por dentro; afasta-nos da comunhão necessária ao autoconhecimento, à maturidade e equilíbrio; afasta-nos da força do Espírito de Deus, sopro divino de amor e de paz.
As investidas do mal não pouparam a Jesus, não  poupam a ninguém. Igrejas, congregações, padres, pastores e fiéis são ótimos comitês nos quais o mal quer se instalar e realizar sua campanha de destruição. Segue a multidão dos bons, humanistas, criticos, existencialistas, religosos e ateus que, na maioria das vezes, inconscientemente, serve ao mal. Pelo que demonstram são bons, porém, pelo que vivem e fazem, são amarrados-amarradores,  divididos-divisores. 
Foi-se o tempo em que crise epilética era sinônimo de manifestação diabólica. O mal, sorrateiro e discreto, busca, silenciosamente, fazer morada nos corações, dando ao homem razões suficientes para fazer coisas boas sob sua tutela, escravizando e destruindo-o, aos poucos. 
A quem, como Jesus, permite-se conduzir pelo Espírito de Deus, cabe o constante exercício de, na força da oração e reflexão sensata, questionar-se, em relação às obras: Qual força me move? Em nome de quem as faço? Sob impulso de qual espírito as faço? Bom exercício a todos nós!
 
Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado em Psicologia
ivanpsicol@hotmail.com

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