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CACHIMBO DA PAZ
Bom Dia Barretos.
Confesso que tenho andado muito apreensivo com o grau de animosidade que está a permear a sociedade brasileira. Divergir é natural. Ter opiniões diferentes é até salutar, e faz parte da vida em sociedade. Mas quando o homem deixa se impregnar pela ambição, pelo ódio, pelo rancor e pelo revanchismo, não se pode esperar coisa boa.
O recente episódio da agressão moral ao ex-ministro da economia Pedro Malan, ao entrar num restaurante acompanhado de sua mulher, bem como a agressão a José Eduardo Dutra, ao embarcar num voo comercial, demonstra claramente que estamos caminhando, a passos largos, para o radicalismo. Junte-se a isso a implacável agressão que diariamente se pratica contra a figura máxima da expressão política do país, que é o seu presidente, e vamos perceber que estamos avançando celeremente da democracia para um regime de exceção declarada.
Estava a filosofar sobre tais fatos, quando me caiu à mão uma parábola denominada “cachimbo da paz”, que faço questão de aqui reproduzir: “Uma vez, um membro de uma tribo chegou furioso ao pé do seu chefe, para dizer que estava decidido a vingar-se de um inimigo que o tinha ofendido gravemente. Iria matá-lo sem piedade! O chefe ouviu atentamente e concordou que ele deveria fazer o que tinha pensado, mas antes deveria encher o seu cachimbo de tabaco e fumá-lo com calma. Assim ele fez. Demorou uma hora a acabar o conteúdo do cachimbo. Depois, voltou para falar com o chefe e disse-lhe que tinha pensado melhor sobre o assunto e que apenas ia dar-lhe uma surra memorável, para que nunca mais se esquecesse da ofensa feita. Novamente, o ancião o escutou e aprovou a sua decisão, mas disse-lhe que, já que tinha mudado a sua forma de pensar, voltasse a encher o cachimbo e fosse fumá-lo no mesmo lugar, antes de fazer o que queria. O homem foi de novo. Depois regressou ao sítio onde estava o chefe e disse-lhe que considerava excessivo castigar fisicamente o seu inimigo, no entanto, ia jogar-lhe na cara a sua má ação e o faria passar vergonha diante de todos. Como sempre, foi escutado com bondade, mas o ancião voltou a pedir-lhe que repetisse a sua meditação. O homem, meio chateado, mas já muito mais sereno, dirigiu-se à árvore centenária que o agasalhou nas outras vezes, e ali sentado, foi transformando em fumaça, o seu tabaco e a sua bronca. Quando terminou, voltou ao chefe e disse-lhe: – Pensando melhor, vou aonde me espera meu agressor para lhe dar um abraço. Assim recuperarei um amigo que seguramente se arrependeu daquilo que fez. O chefe disse-lhe: – Isso era precisamente o que tinha para lhe dizer desde o princípio, mas não podia fazê-lo; era necessário dar-lhe tempo para que você mesmo descobrisse”.
Meus irmãos barretenses, estamos precisando urgentemente começar a fumar o cachimbo da paz no Brasil. Que se exercite o contraditório, que se explicite os pontos de vista contrário, que se contrapõem a maneira como está sendo conduzida a nossa economia, mas que se respeite a opinião alheia e principalmente o ser humano, que não deve nem pode ser linchado moralmente, como começa a ocorrer, só porque dele divergimos. A intolerância e a agressividade nunca foram caminhos para o bem comum. Pense nisso e tenha um bom final de semana.
BOM DIA BARRETOS.