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TIRADENTES
Bom Dia Barretos.
Por capricho, na semana que se encerra, conversei com mais de uma dezena de pessoas de vários extratos sociais, fazendo a seguinte pergunta: – É verdade que na próxima semana teremos um feriado? Diante da resposta positiva, perguntei: feriado por que? A grande maioria das respostas foi: – Também não sei, mas que é um feriado abençoado, isso é, pois estava mesmo precisando de uma ponte no trabalho. Não satisfeito, resolvi questionar a outros, o que achavam da Inconfidência Mineira. Fiquei abismado com o grau de desconhecimento, não só da razão do feriado, como do desconhecimento do que foi a Inconfidência. E olha que nem perguntei quem era Joaquim Jose da Silva Xavier, ou o que fazia e onde morava. Se o fizesse, talvez alguém tivesse afirmado conhecer o Joaquim da padaria, só que não poderia garantir que o seu sobrenome seria Xavier. Depois dessa experiência, não me atrevi a perguntar se alguém já havia ouvido falar do “derrama”.
Vamos então refrescar um pouco a memória, uma vez que um povo sem memória é como um corpo sem alma. Joaquim Jose da Silva Xavier, o Tiradentes, era um dentista, um militar e, ao mesmo tempo, um ativista político. Era um dos inconformados com a cobrança de altas taxas e impostos que era imposto aos brasileiros pelo governo português. Inconformado também com a obrigação de dar ao governo de Portugal, vinte por cento de todo ouro que aqui era extraído, não só na Capitania de Minas Gerais, como de todo o Território Nacional.
Com o passar do tempo e a queda de produção do ouro, o Governo Português resolveu criar o “Derrama”, que consistia em obrigar todas as regiões que exploravam ouro, a pagar cem arrobas de ouro, um mil e quinhentos quilos de ouro por ano, para a Metrópole. A insatisfação popular, que já era muito grande, crescia, enquanto o Brasil sofria sob o jugo de Portugal. Em decorrência de tal situação, um grupo de intelectuais, militares, donos de minas e fazendeiros, começou a se reunir, buscando uma saída para tal situação. Tal grupo era liderado por Tiradentes e, entre outros, agregava pessoas como os poetas Tomas Antonio Gonzaga e Claudio Manuel da Costa, o padre Rolim e Inácio de Alvarenga, dono de uma mina. O grupo tinha por bandeira implantar um governo republicano em nosso país. Só que o grupo nunca imaginou que poderia agregar em seu seio, um traidor. Os Inconfidentes, como vieram a ser chamados, já pensavam numa nova bandeira para o Brasil, com a inscrição em Latim “Libertas quae sera Tamen”, em bom português, “Liberdade ainda que Tardia”. Nascia assim a Inconfidência Mineira, tentativa de revolta abortada pelo governo em 1.789, graças a um traidor que a todos entregou.
Foi um importante movimento social da História do Brasil. Significou naquela época a luta do povo brasileiro pela liberdade, contra a opressão do governo português no período colonial. Parece que a história sempre se repete. Governos que sugam a economia popular, grupos que se revoltam e traidores que entregam o planejado em troca de favores ou dinheiro. Bem, não é de se admirar, pois até Cristo, filho de DEUS feito homem, foi entregue com um beijo em troca de trinta moedas. Creio que se estudássemos um pouco mais a história e com ela aprendêssemos, governos e governados viveriam mais felizes. Governos controlariam mais seus gastos, o povo deixaria de ser escorchado com impostos em curva sempre ascendente, e a vida seria menos penosa para os mais pobres.
Infelizmente, parece que o homem não aprende com a história e volta a repetir os mesmos erros ao longo do tempo. Como seria bom se escolas e governos aproveitassem as comemorações dos feriados com explanações sobre os seus significados históricos e quais lições deles poderíamos tirar. Bem, creio que é querer muito. Bom final de semana e bom feriado do dia 21 a todos.
Bom Dia Barretos.