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domingo, 05 de abril de 2015

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CORAÇÃO PURO, ESPÍRITO DECIDIDO (II)

A expressão “criai em mim um coração que seja puro”, registrada no livro sagrado dos cristãos, a Bíblia (Salmo 50), só alcança verdadeiro sentido e significado, deixando de ser simplesmente prece quando, a segunda metade desta oração, “dai-me de novo um espírito decidido” torna-se realidade. Boa parte dos que suplicam por um coração puro, embora o façam de boa vontade, nem sempre ou quase nunca, estão conscientes, abertos e disponíveis à, decididamente, assumir o que pedem, tornando, eles próprios, impossível alcançar o que esperam.
A expressão ‘espírito decidido’ remete-nos às manifestações próprias da natureza que confere ao ser humano a capacidade de pensar e o comportamento responsável: o espírito. Ter ‘espírito decidido’ consiste em, de forma livre e consciente, através da capacidade de pensar, decidir e, responsavelmente, arcar com as conseqüências da decisão tomada. 
Tomar decisões parece não ser ainda nossa maior dificuldade. Volta e meia, deparamo-nos com tantos que decidiram emagrecer, fazer caminhada, para de fumar e beber, ir à Igreja, ser voluntário, engajar-se numa causa social, participar de uma comunidade…, e que se servem de todas as desculpas possíveis e imagináveis para justificar o não cumprimento de suas decisões. Falta-lhes espírito decidido.
Preparação, exercício, disciplina, perseverança, constância, revisão de estratégia e motivação, como num combate, são fundamentais para se ter ‘espírito decidido’. Quem não vigia sobre as decisões e não se mantêm firme nos propósitos, renovando cada dia os sonhos, reavivando cada dia a esperança, facilmente sucumbe. Muitos sequer mantêm a boa vontade; outros começam e, nas primeiras dificuldades, desistem; outros deslancham velozmente e, como não poupam energia para os momentos decisivos, esgotam-se; há os que se distraem e perdem o foco; outros se sentem tão preparados que não levam suprimento suficiente, desmaiam pelo caminho. Indecisão, medo, covardia, inconstância, incapacidade de suportar pressão, imaturidade, protecionismo, irresponsabilidade…, geram ‘ espírito abatido’, que se alimenta e se move de vícios.
Destaque-se a audaciosa atitude dos que, em meio às barreiras, decepções, traições, tropeços, quedas, ferimentos, lágrimas, angustia, solidão e tantos outros percalços, mantêm-se firmes. Estes experimentam, a cada passo, o sabor da vitória e, na linha de chegada, constatam que a vitória começara na linha de partida quando, decidiram mover todas as forças para que os sonhos se tornassem realidade. Espírito decidido para o bem, espírito saudável, alimenta-se e se move de virtudes.
 
 
Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado em Psicologia
ivanpsicol@hotmail.com

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