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quarta-feira, 25 de março de 2015

Artigos

TOLERÂNCIA

As agitações de ideias nos leva ao confronto.
Sabemos que razão deveria ser um conceito de pura objetividade, mas a verdade é mais subjetiva do que objetiva. O relativismo dos conceitos deveria ser regra.
Procuramos no mundo dos fatos os substratos de nossas convicções. O delineamento de nossas verdades é construído com subsídios, muitas vezes, deformadores que nos levam ao absolutismo de nossas convicções.
Deterioradas e deformadas, nossas verdades são realidades mais de nossa intuição do que de nossa dedução. Fragmentos de nossos argumentos constroem um mosaico de facetas dispersas do radicalismo.
O fundamentalismo das conclusões nos cega e deriva de nosso personalismo e nunca das diversidades das realidades paralelas. Depois de nascida, em nosso núcleo do cérebro, os argumentos tornam-se notabilidades fechadas de conclusões perigosas.
Confrontar nossos mundos íntimos com as verdades do mundo precisa de uma diplomacia persuasiva  e um abandono ao sectarismo.
O campo do mundo político é construído de ideias, que se confrontam dentro do mundo das regras.
A parcialidade das conclusões são verdades pela metade. Para o estado submeter é preciso legitimidade e legalidade. Somente assim, poderemos ter uma funcionalidade palpável.
Carregadas de preconceitos e deduções absolutas, confrontamos nossas ideias com ideias alheias. Carregamos como troféu, e, desta convivência, nasce o pluralismo ideológico e o modelo democrático.
O que pensamos dever ter respaldo no relativismo, pois conclusões fechadas e anárquicas são instrumentos perigosos de radicalismo e confrontalismo sangrento.
Ter convicções é ato de inteligência, mas aprender a conviver com elas é um ato de sabedoria democrática.
As ideias são almas da democracia, mas para fluir e se atritar precisa de regras, que são o substrato do mundo inteligente.
Neste momento, em que o Brasil passa por distorções profundas e que o absolutismo de ideias toma corpo, devemos aplainar nossos conceitos e convicções, porém tolerar ideias alheias na mesma proporção em que tentamos impor as nossas.
Devemos ser tolerante com as ideias alheias, sem perder nossas convicções relativas, pois os fundamentalismos nos levam ao conflito sangrento.
Neste momento, de exacerbação de  ideias, é preciso ser tolerante com as ideias, alheias sem ser alienado. E por isso torço por um Brasil  cada vez mais democrático de convivência mansa, porém com princípios fortes e flexíveis que nos leva a verdade relativa.
 
JUAREZ  ALVARENGA
ADVOGADO E ESCRITOR

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