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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Artigos

Não tão verde assim

Cientistas da Universidade de Minnesota e do Laboratório Nacional de Energia Renovável (NREL) dos Estados Unidos da América avaliaram o impacto dos diferentes tipos de combustíveis dos automóveis no meio ambiente. Entre eles, o uso de etanol de milho como biocombustível, energia elétrica à base de carvão em veículos elétricos (EV), bem como energia eólica, hidrelétrica e solar para os mesmos veículos elétricos e ainda os veículos híbridos a gasolina. 
Nesse estudo não apenas os gases do efeito estufa (GEE) são avaliados, mas também o impacto sobre a qualidade do ar da geração de energia. Para os cientistas, as emissões de gases de efeito estufa não são o maior impacto ambiental do uso de veículos, mas sim fatores externos como a poluição do ar e prejuízos à saúde, entre outros. 
Assim, os veículos elétricos mostraram-se piores que os a gasolina e a diesel por resultar em maiores concentrações de partículas em suspensão no ar. E nos estados que usam carvão para gerar energia elétrica, a situação fica ainda mais grave. 
Outra constatação do estudo é que o uso do milho, seja como biocombustível etanol ou como combustível para as usinas de energia elétrica para os veículos elétricos, também resulta em má qualidade do ar, mesmo que reduza os gazes de efeito estufa. E o uso de palha de milho para a geração de energia de biomassa mostrou-se ainda pior do que a utilização de gás natural. 
Obviamente, os melhores geradores de energia são o vento, os rios, as ondas do mar e o sol. Provindo daí, os veículos elétricos mostram seu poder de melhorar a qualidade do ar e a emissão de gases de efeito estufa. A pesquisa mostrou um fato inesperado, o uso de EV acionados por eletricidade provinda de gás natural tem o segundo melhor impacto na qualidade do ar, bem como na redução das emissões de GEE, seguido por híbridos a gasolina. O biocombustível de palha de milho pode ajudar a reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa, mas também resulta em uma deterioração da qualidade do ar. Usando bioetanol a partir de grãos de milho há um enorme impacto sobre a qualidade do ar, eliminando GEE. 
Tendo em mente que toda forma de geração de energia, mesmo as verdes, produzem algum impacto ambiental, cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) produziram um estudo que verificou que os parques eólicos não fazem as pessoas ficarem doentes, como alguns dos moradores que vivem perto de turbinas eólicas têm alegado. 
Os pacientes relataram ouvir zumbidos, ter dor de cabeça, doenças cardíacas, ansiedade (uma doença psicológica por definição), distúrbios do sono entre outros, todos seriam causados por infrassons imperceptíveis produzidos pelas turbinas. Porém, o estudo, que é um dos maiores estudos realizados sobre este tema, no norte da Polônia, com uma amostra de 1.500 habitantes, mostrou que é a melhor qualidade de vida para as pessoas que vivem perto de parques eólicos. Curiosamente, aqueles que vivem mais de 1.500 metros longe dos geradores, apresentam pior qualidade de vida. O único mal que os geradores geram é um ruído aborrecedor, somente isso. 
 
Mario Eugenio Saturno (cienciacuriosa.blog.com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano. 

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