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domingo, 11 de janeiro de 2015

Artigos

Um apelo pela paz!

Nesta semana, todo o mundo assistiu atônito as cenas de violência na Redação da Revista “Charlie Hebdo”, em Paris (França), o mais grave nos últimos cinquenta anos a atingir cidadãos franceses.
Fatos como este voltam a chamar a atenção do mundo, não só para a truculência com que agem os grupos fundamentalistas em várias partes do mundo, mas, ao mesmo tempo, a espiral da violência que cresce assustadoramente vitimando adultos, jovens e crianças.
Nesta perspectiva, entre os fatos, que neste último ano chamou a nossa atenção, está o grave atentado aos direitos humanos que sofrem grupos cristãos e mulçumanos na Síria e no Iraque: populações inteiras obrigadas a abandonar os seus lares; pais de famílias assassinados, mulheres e crianças violentadas por grupos fundamentalistas que não toleram as diferenças culturais e religiosas, e servem-se da tirania da força para prevalecer em regiões onde a tolerância e a convivência de raças e credos até então era pacífica.
Estes fatos fazem retornar a discussão o uso da religião como razão para matar. Em termos mais simples, “até onde é possível matar em nome de Deus”?
No último século, por diversas vezes, a Igreja Católica faz ouvir a sua voz, chamando a humanidade e as religiões a uma convivência de paz e entendimento. São João Paulo II, no início do Novo Milênio, num clima de profunda tensão devido ao atentado às torres gêmeas em Nova York, convocou líderes religiosos para um encontro de oração em Assis (Itália), numa forte demonstração de fraternidade e convivência pacífica em favor da paz, o que se repetiu depois com o próprio Papa João Paulo II e posteriormente com o Papa Bento XVI.
Seria lamentável, hoje, que o terrorismo praticado por grupos ligados ao Islã levasse as pessoas a acusar e perseguir aqueles que professam a fé islâmica, como se fosse uma religião do terror.
O Papa Francisco, na visita ao Departamento para os Assuntos Religiosos da Turquia, no dia 28 de novembro último, afirmava: “Nós mulçumanos e cristãos somos depositários de tesouros espirituais inestimáveis, entre os quais reconhecemos elementos de convergência, embora vividos segundo as tradições próprias: a adoração de Deus misericordioso, a referência ao patriarca Abraão, a oração, a esmola, o jejum… elementos que, vividos sinceramente, podem transformar a vida e dar uma base segura para a dignidade e a fraternidade dos homens”.
E afirmou também: “A vida humana, dom de Deus Criador, possui um caráter sagrado. Por isso, a violência que busca uma justificação religiosa merece a mais forte condenação, porque o Onipotente é Deus da vida e da paz”.
Em nome de Deus, jamais a guerra! Em nome da paz, jamais a discriminação! Em nome do bem, respeito e concórdia entre homens e mulheres de boa vontade, independentemente da religião que professam!
Dom Milton Kenan Júnior
Bispo de Barretos
 
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