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Com modernização de equipamentos, indústria pode reduzir impactos da mudança climática
O setor industrial é o maior consumidor de energia do Brasil, sendo responsável por 33,9% do consumo de energia total do país, segundo o relatório do Balanço Energético Nacional 2013. O aumento de 40,7% na tarifa de energia elétrica da distribuidora Elektro, autorizado em agosto pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) afetou centenas de municípios do Estado de São Paulo e do Mato Grosso do Sul, impactando os custos adicionais das indústrias na compra de energia, que acabam sendo repassados para todos os níveis da cadeia de negócio.
Outro ponto a ser considerado é o crescimento anual de 2,2% das emissões de gases de efeito estufa no mundo, o que coloca a indústria no centro das decisões. Isso porque 80% dos lançamentos ocorridos entre 2000 e 2010 vieram da queima de combustíveis fósseis, principalmente da geração de energia e da indústria. O alto consumo energético das indústrias evidencia que a eficiência energética ainda não é uma prioridade para o segmento. A “descarbonização” da geração de eletricidade é essencial para o funcionamento das estratégias de redução de emissões e consequentemente da diminuição dos impactos no meio ambiente.
Atividades industriais como produção de aço e ferro, refino de petróleo e fabricação de cimento, celulose e papel usam intensivamente a energia e são responsáveis por, aproximadamente, 85% do total das emissões de CO2 do segmento. O relatório do IPCC aponta que um grande aliado para a redução de emissões de CO2 é a inovação tecnológica. Cada vez mais é essencial a adoção de soluções focadas em eficiência energética, que poupam ou substituem os combustíveis fósseis e proporcionam a redução no consumo da energia elétrica.
Atualmente, existem diversas tecnologias energeticamente eficientes e que reduzem as emissões de CO2 disponíveis para áreas como refrigeração de alimentos, ar condicionado, aquecimento de edifícios e controle de motores elétricos. Os sistemas de controle de refrigeração, por exemplo, garantem que o consumo de energia seja, automaticamente, correspondente à necessidade real. O ADAP-KOOL é o sistema de controle da Danfoss, utilizado em diversos supermercados ao redor do mundo, poupando anualmente seis milhões de toneladas de CO2 e 20% de energia. Se todos os supermercados modernos do mundo aperfeiçoassem seus sistemas de refrigeração, 16 milhões de toneladas de CO2 seriam poupadas por ano.
Outro exemplo de tecnologia em prol da eficiência energética são os conversores de frequência, que controlam o fornecimento de energia para motores elétricos e podem poupar de 15% a 40% de energia, dependendo de sua aplicação. Com os quatro milhões de conversores de frequência da Danfoss instalados pelo mundo, são poupadas 37 milhões de toneladas de CO2 por ano, o que corresponde à emissão de mais de 19 milhões de carros na Europa.
Para que haja a transformação necessária para revertermos este cenário, é preciso inserir as questões de eficiência energética e redução da emissão de gases de efeito estufa nos planejamentos estratégicos das indústrias. É possível combater as mudanças climáticas por meio de tecnologias apropriadas que não agridem o meio ambiente e, ao mesmo tempo, otimizam a produtividade.
Julio Molinari é Presidente da Danfoss na América Latina