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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Artigos

Não basta conhecer quando a demanda é adaptar

Nos últimos anos o Brasil se estabeleceu como país fortíssimo no agronegócio. Estamos no epicentro da agricultura tropical, que representa 38% de toda a área agricultável no mundo. Somos o celeiro da agricultura tropical como produtor de grãos, fibras e proteínas, mas espera-se também que o País seja um grande gerador de energia. Esta é a nossa grande contradição. Enfrentamos os desafios de programas espetaculares, porém quase liquidados pelas políticas públicas, como o caso do etanol brasileiro. Logística problemática, rodovias com problemas, portos defasados e más condições de armazenamento. Tudo isso em um País de grandes dimensões, recheado de impactos climáticos. Haja resiliência. 
Tudo isso exige também a formação de novos profissionais habilitados para a realidade tecnológica do campo. Embora o público em geral pense nesse profissional como engenheiro agrônomo, zootecnista ou veterinário, cada vez mais são demandadas posições em finanças, produção, trading, recursos humanos, tecnologia da informação, marketing e vendas.
O profissional que o campo busca deve ter capacidade técnica apurada e adaptabilidade interpessoal aguda. Mudar de região no Brasil poderá ser quase como mudar-se de País. Se o executivo não tiver as competências de adaptabilidade, respeito e flexibilidade será facilmente expurgado do sistema. Se errar o passo nos primeiros noventa dias corre o risco de falhar.
Por isso, tão importante quanto a capacidade técnica exigida é a capacidade interpessoal e de liderança nas grandes e pequenas comunidades. O mundo agro está no primeiro mundo digital, com geomonitoramento. Mas é também uma sociedade mais ‘pé no chão’, direta e simples no tratar. Longe do trânsito e da violência das grandes cidades, há mais ambiente para reflexão e análise. E isso torna o homem do campo intensamente mais perceptivo. Os ditados populares do campo são o fruto recheado de sabedoria.
Com a internacionalização dos mercados, a vinda de empresas estrangeiras, exigências regulamentares, ambientais, financeiras, organizacionais com novos processos, os profissionais do campo têm que se sofisticar. Ou, pelo menos, acoplar novas ferramentas de gestão ao seu portfólio profissional. É sempre um desafio atrair um bom profissional para o interior. Especialmente quando esse interior é em Goiás, Mato Grosso, São Paulo ou oeste baiano. Muitos executivos não aguentam e não se adaptam. Por isso, a busca por talentos para o mercado agro exige mais trabalho e mais profundidade nas avaliações interpessoais. Um consultor de executive search, nessa hora, tem que ter olhar cirúrgico para detectar comportamentos que podem explodir ao longo da trajetória.
O agronegócio hoje é global e ficará cada vez mais, sendo que o Brasil é o grande e sofisticado integrante. Entretanto, para cumprir seu desafio de alimentar o mundo e gerar energia, não bastam tecnologia e investimento. Precisamos achar, desenvolver e reter pessoas, não somente no setor técnico de produção, mas em todas outras áreas correlatas. 
 
Jeffrey Abrahams é sócio-gerente da Fesa, consultoria de busca e seleção de altos executivos.

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