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O SÍNODO: A FAMÍLIA E SUAS CONJUNTURAS
A realização do Sínodo dos Bispos para debater o tema da família, no Vaticano é uma iniciativa louvável do papa Francisco, tendo em vista a necessidade de uma profunda reflexão sobre as diversas situações concretas que hoje os católicos se deparam no campo” vida e família”, e que precisam de uma resposta pastoral da Igreja, demandada já há várias décadas. A Igreja sempre vai defender o valor da família, como célula manter da sociedade, cuja doutrina é clara em reconhecer o quanto temos que valorizar a primeira de todas as instituições. O que o papa sugere aos bispos refletirem são questões pastorais, isto é, como fazer com que a doutrina da Igreja seja melhor vivida por todos, em meio às diversas situações desafiantes do nosso tempo. Nesse sentido, o papa sugere agora uma profunda reflexão, para tomar decisões pastorais somente no ano que vem, depois de ouvir a todos.
É certo de que existem algumas correntes do clero que querem relativizar alguns pontos doutrinais, justificando a mudança dos costumes sociais e da própria cultura pós-moderna. Com isso, muitos não conseguiram entender ou viver de modo adequado as balizas morais defendidas pela Igreja, cujas dificuldades concretas foram se intensificando cada vez mais, por conta das mudanças nos estilo de vida, etc. Para alguns cardeais e bispos, a Igreja precisaria manter a doutrina moral e social, mas com um discurso menos duro para os que não conseguem viverem integralmente tais princípios, e adotar uma postura mais misericordiosa. Não que isso signifique abrir mão de tais valores, mas o problema todo, segundo o papa Francisco, não é de doutrina, mas de pastoral. É claro que a mídia gosta de criar sensacionalismo, às vezes precipitada, dando ênfase, por exemplo, à retirada do latim nas sessões do Sínodo. O que o papa Francisco procurou fazer é ser prático. Não retirou o latim das celebrações litúrgicas solenes, nem dos documentos relevantes, pois o latim continua a língua oficial da Igreja. Da mesma forma ninguém está dizendo que a Igreja vai negar a doutrina pregada por tantos séculos, mas apenas o papa entende que é preciso realizar ajustes pastorais. É isso. Rezemos e esperamos que saiam decisões corretas e com sabedoria, para os difíceis tempos em que vivemos decisões que valorizem a família e ajudem a promovê-la. As questões relativas à homofobia, às segundas núpcias e outras questões sensíveis serão enfrentadas com toda a certeza.
Valmor Bolan é Doutor em Sociologia e Especialista em Gestão Universitária pelo IGLU (Instituto de Gestão e Liderança Interamericano) da OUI (Organização Universitária Interamericana) com sede em Montreal, Canadá.