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A LIÇÃO DO IPÊ
Bom Dia Barretos.
Na última quarta-feira, como o faço há muito tempo, deixei o hospital por volta das 14h30 para ir almoçar. Lá pela avenida 37, me deparei com um pé de ipê florido, todo vestido de branco, com a graça e o porte de uma noiva indo para o altar. Confesso que não me contive. Parei o carro, desci e por alguns instantes fiquei ali parado, embevecido, a admirar aquela árvore florida, contrastando com um esplendoroso céu azul, totalmente desprovido de nuvens. Gravei sua imagem em minha memória e depois a registrei pela câmera de meu celular.
Tinha plena consciência de que toda aquela beleza era efêmera, mas senti também que me transmitia um grande ensinamento. O meu celular registrava aqui em Barretos, umidade do ar em 12%, clima de deserto. Nossa cidade já não recebe as bênçãos de DEUS, transformadas em chuva, há muito tempo. As queimadas persistentes, apesar das condições atmosféricas desfavoráveis e das proibições legais, continuam a envenenar o ar que respiramos.
Mas, nem todas essas condições desfavoráveis impediram o ipê de florir, talvez para dar àqueles que não perderam a capacidade de sonhar e amar, e aos que não se perderam pelos caminhos da ânsia do ter e do poder, conservando a capacidade de admirar a natureza e agradecer a DEUS pela vida, um momento de grande felicidade e de aproximação espiritual com o Criador. Era, como se o ipê estivesse a nos dizer que apesar das agruras do meio ambiente, da falta de água e do ar contaminado, não se abateu, não se curvou e cumpriu com sua missão de florescer.
Fiquei ali por alguns instantes, parado e concentrado como se estivesse diante de um altar, e então, elevei meus pensamentos ao Criador, Lhe agradeci por aquele momento, pelos pais que me deu e que me criaram com muito amor, pela família que constituíram, a minha família, pela família que me permitiu constituir ao lado de minha mulher, pelo hospital que fui edificando, pedra sobre pedra, tendo que enfrentar as mesmas agruras, pelas quais passa o ipê, mas agora desabrochando como um ipê florido, que não só alegra a alma como dá suporte à vida.
Entendi também, que ele nos dizia que as preocupações, do dia a dia, as dificuldades econômicas e financeiras, as dificuldades de relacionamento ou comportamental, não podem destruir nossa capacidade de apreciar o belo, e nele encontrar o amor de DEUS, pelo seu povo e pelo planeta terra. Naquele momento entendi que queria nos transmitir mais uma lição, a de que devemos amar o nosso próximo, como a nós mesmo, conforme CRISTO nos ensinou. Deixei o lugar pensando: – Perdi alguns minutos ou ganhei um presente da vida? Fui para casa almoçar para sustentar o corpo, pois minha alma estava plenamente alimentada.
Mas, como na vida, nem tudo são flores, me veio à memória que, na comemoração dos 150 anos de Barretos, na região dos lagos, foram plantados 150 pés de ipê, que no futuro iriam constituir um pequeno bosque, onde os pássaros encontrassem um lar e sua florada comemorasse o aniversário de Barretos. Pena que o projeto foi deixado ao DEUS dará. Creio que a felicidade pode se manifestar nessas pequenas coisas, como admirar um ipê florido, amparar um idoso em dificuldade, cuidar de uma criança que perambula pelas ruas, ajudar um portador de necessidades especiais a transpor um obstáculo ou simplesmente respeitar os transeuntes no trânsito.
Pena que o homem moderno, atormentado pelos afazeres que não acabam nunca, não mais tem tempo, para admirar o belo, encantar-se com o sorriso de uma criança, ou se preocupar com as agruras de seus semelhantes. Parece que as dificuldades do dia a dia, teve o condão de empedernir seu coração, deixando que a mágoa sufocasse a alegria e o prazer de viver. Creio que vamos ter um belo final de semana pela frente e muitos ipês florindo, por isso desejo que cada barretense possa encontrar o seu, e desfrutar a mesma alegria que desfrutei.
BOM DIA BARRETOS.