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quarta-feira, 06 de agosto de 2014

Artigos

A impaciência

Tempo é dinheiro. Esta é a idéia e a prática de vida do mundo capitalista, no qual vivemos. E ao deus “capitalismo”, os homens sacrificam saúde, amizade, sacrificam o próprio Deus. Vendem seu corpo; vendem sua alma; vendem sua vida; vendem sua fé; vendem seu Deus!
Tempo é dinheiro. Sim, tempo é para ganhar dinheiro; dinheiro é para comprar coisas; coisas para serem consumidas. E para que hajam coisas a serem consumidas; é preciso tempo para ganhar dinheiro, para comprar coisas para consumir…
E o ciclo continua, ininterruptamente, nervosamente, angustiantemente. Neste ciclo não entram nem o outro homem, enquanto homem, nem Deus, enquanto Deus.
Devagar é um tempo que o homem exclui do dicionário de sua vida, de todo o dia. E, como Deus é devagar, assim como tudo o que vem do eterno e para o eterno conduz, Deus é igualmente excluído da impaciente vida do homem moderno.
Mas há homens que ainda têm um pouco de paciência com Deus. Eu disse: “um pouco”. Nós os encontramos em lugares chamados “lugares de oração”, “lugares de Deus”. Nós o vemos rezando numa romaria, fazendo promessas a um santo preferido, assistindo á uma missa, participando, quem sabe, de um movimento de Igreja. Por fora, tudo bem! Até poderíamos cair na tentação de chamá-los “bons cristãos”.
Se entrarmos neles, porém, vamos sentir a impaciência, que deixa seu mundo interior, numa angustiante ebulição. Ah! Sim! Eles não deixam por menos: marcam tempo para Deus. E rezam: “Meu Deus, meu Santo Antônio, minha Santa Rita, se dentro de um mês eu conseguir comprar aquela casa, ganhar na esportiva, vou acender uma vela no altar , vou vestir meu filhinho de Santo Antônio”… E se Deus não atender dentro do tempo marcado, toda a estrutura de fé, desaba como a implosão de um prédio!
Quando se faz um Deus à nossa imagem e semelhança, quando se quer comprometer Deus com as pequenas querelas e mesquinhos desejos de nosso coração, podemos aguardar uma amarga decepção.
A nossa impaciência ou pouca paciência com Deus, e com os irmãos, não é muitas vezes causa de decepção, de angústia, de desencontro?
A paciência de Deus para conosco, é infinita. Procuremos senti-la em cada instante de nossas vidas, através de cada irmão e de cada situação que se nos apresenta e veremos que tudo foi colocado pacientemente junto de nó, para o nosso crescimento espiritual.
Procuremos retribuir, dentro de nossa pequenez, a imensa paciência de Deus para conosco, colocando–O em nossas vidas, colocando todos os outros irmãos junto de nós e, amando-os pacientemente.

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