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domingo, 27 de julho de 2014

Artigos

A MELHOR DERROTA

A imprensa e os organismos oficiais avaliam a copa do mundo de futebol como altamente positiva, considerando, das estruturas dos estádios à receptividade dos brasileiros.  Não obstante o êxito do evento, saboreamos o amargo do pior desempenho de todos os tempos de nossa seleção. A certeza da vitória deu lugar à depressão coletiva.  Passado o fervor, nota-se: a copa do mundo tem muito a nos ensinar. Querer aprender é fundamental.
 
1ª lição: Nem sempre quem tem os melhores possui a melhor equipe.  Reunir os melhores jogadores do mundo não significa, necessariamente, ter a melhor seleção do mundo. A psicologia auxilia nesta compreensão: a junção das partes consiste numa nova realidade, numa nova configuração que não simplesmente a soma das individualidades. Desconsiderar esta verdade compromete o resultado final. 
 
2ª lição: Ser nação, não bando. As reações dos brasileiros sugerem-nos refletir. Diante das conquistas e vitórias somos nação. No entanto, diante das derrotas, somos bando; perdemos a identidade, recaímos aos mais primitivos níveis de irracionalidade. Esta postura ecoa em todos os campos e dimensões, justificando o fato de sermos eterna colônia de exploração, massa impensante que precisa ser controlada.
 
3ª lição: Perder é tão possível quanto ganhar. Como explicar às crianças, inconformadas, a derrota do Brasil? Esta questão ultrapassa os gramados, evidenciando graves falhas: nossa forma de educar e formar não considera a possibilidade da derrota, imprimindo nas novas gerações que, necessariamente, sempre serão campeãs. Não educamos para o trabalho, o respeito, a paciência e a determinação. O jeitinho brasileiro já era!
 
4ª lição: Liderança responsável. Não obstante os resultados negativos há de se destacar a postura do então técnico da seleção, que assumiu toda responsabilidade. Bem sabemos que convocações e escalações dependem muito mais da combinação de uma série de fatores, inclusive, político-econômicos, do que a da vontade de uma única pessoa. Independente de culpa, Felipão foi responsável. Isso espanta o brasileiro.
Esta copa revelou-se a melhor de todos os tempos, sobretudo, por tornar-se ocasião especial, possibilitando-nos considerar e refletir sobre realidades que ultrapassam o esporte, elementos que, de fato, tornam um povo, verdadeiramente campeão.  Que esta melhor derrota converta-se em muitas vitórias! 
 
Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado em Psicologia

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