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REALLY
Bom Dia Barretos.
Tem uma expressão na língua inglesa, “really”, que significa “mesmo!”, como exclamação de alguém que foi surpreendido com uma revelação difícil de acreditar. Really, questiona também o brasileiro com os seus botões, mergulhado no espanto e exclamando: É mesmo! Será possível! É verdade! É inacreditável!
Para nós no Brasil e em tempo de Copa do Mundo, me dei ao direito de usar tal palavra, para expressar o meu espanto, com o comportamento de alguns torcedores no decorrer do dia a dia da Copa. Calcula-se que mais de cem mil argentinos invadiram o nosso país para acompanhar os jogos de sua seleção. Nos estádios, torcidas como a do Chile e da Argentina, adornam o espetáculo com suas cores, sua vibração e seus gritos de apoio às suas seleções. Torcedores dos Estados Unidos, da Inglaterra, Japão e dos demais países participantes, viajaram milhares de quilômetros para torcerem e apoiarem seus jogadores. Também é verdade que a nossa torcida tem dado demonstração inequívoca de incentivo e apoio à nossa equipe.
Mas, por motivos vários, predominando os políticos, associados às eleições que se aproximam, alguns torcedores, esquecendo a beleza do esporte bretão, deixaram de lado o amor pela Pátria e passaram a torcer contra a nossa seleção. Querem que a seleção perca, acreditando que tal fato possa ter o condão de alavancar a eleição de seu candidato e a derrota de seu adversário.
Really! Quero exclamar: Mesmo! Será possível que tal fato esteja acontecendo? Infelizmente está. Até aqui mesmo, em nossa querida Barretos, tenho ouvido pessoas dizerem em alto e bom som: Temos que torcer para que a nossa seleção perca, senão o candidato X vai tirar proveito, enquanto que, a seleção perdendo, o meu candidato, o Y, verá aumentada, e em muito, sua possibilidade eleitoral.
Não podemos pautar nossa conduta, à mercê de interesses momentâneos e pessoais. Apesar da crise econômica, política e até institucional que a Argentina vive, com um novo calote batendo às portas, o povo argentino deixou de lado suas adversidades internas e se compuseram, numa massa uníssona, a apoiar e incentivar sua seleção. Será que não poderíamos seguir o exemplo da Argentina, Chile e outros países da América Latina e nos unirmos em favor de nossa seleção, ou melhor, de nosso País, por ela no presente momento representado?
Não quero saber se é futebol, tênis, vôlei ou basquete que está em jogo. Se é o Brasil que entra em campo, torço pela sua vitória. Os problemas internos, temos que resolver entre nós, nos embates internos, e não expondo ao mundo uma divergência puramente eleitoreira. Acorda Brasil, vamos nos unir nas revindicações coletivas, nas lutas esportivas, comerciais ou de representatividade, deixando as refregas políticas restritas ao período eleitoral.
Não vamos deixar esgarçar o que foi tecido com muita luta pelos nossos antepassados, o sentimento de brasilidade e o amor pelo nosso território pátrio. Que os sentimentos menores sejam sepultados, deixando que o sol do orgulho de ser brasileiro volte a brilhar em toda sua intensidade.
Bom Dia Barretos.