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domingo, 29 de junho de 2014

Artigos

CONFIAR É MAIS

A experiência de lançar-se nos braços do pai, vivida na infância, por boa parte das pessoas, é referência marcante, tanto pela simplicidade, porque comum, quanto pela profundidade, porque rica em significado. Embora houvesse riscos, movia-nos pela certeza de que alguém maior e mais poderoso nos seguraria. Exercitamos a plena entrega, aprendemos a confiar. Fundamental em qualquer relacionamento, confiar é mais que acreditar. Acreditar é um movimento da cabeça, resultante da capacidade de pensar; confiar é um movimento do coração, resultante da capacidade amar.
Após referir-se a Deus como o Senhor de  todas as coisas Jesus  afirma: “Nâo tenhais medo daqueles que matam  o corpo e não podem matar a alma (…) Quanto a vós, até os cabelos de vossa cabeça estão todos contados. Nâo tenhais medo!.” Assim Ele expressa o nível de intimidade e confiança que deve permear a relação entre o homem e Deus. Aconteça o que acontecer, o Pai zela por cada um de seus filhos.  Nesse contexto identificamos posturas , atitudes  e consequências diversas.    
Áquele que  acredita e confia em si próprio, unicamente; dotado de atributos que o definem como bom ou ótimo, coloca em si a razão absoluta de tudo o que é e faz, sua referência é ele próprio. Quando a vida contraria a regra sob a qual edificou sua existência, uma vez que sequer admite a possiblidade de entrar em contato com seus limites, o resultado é devastador: auto-destruição. 
Áquele que acredita em Deus, mas confia em si próprio, unicamente; dotado de atributos que o definem como bom ou ótimo, no uso da inteliência, conclui que Deus  existe e reconhece esta existência de forma genérica, como um ser superior, ou específica, através da prática de uma religião. Quando a vida pede que ultrapasse o limite do acreditar, ele se perde; sua relação é regida por obrigação e troca, tendo em vista possíveis benefícios. Passa a considerar Deus e as práticas religosas como inimigos. Acredita, mas não confia. 
Áquele que acredita e confia em Deus, absolutamente. Dotado de atributos que o definem como bom ou ótimo, acredita em si próprio e nos outros, proporcionalmente; acredita em Deus, aicma de tudo. Professa a fé de forma concreta. Sem ser melhor ou pior que os demais, possui um diferencial: cultiva  e intensifica  a relação de confiança para com Deus. Serve-se das faculdades humanas,  acredita, mas vai além, confia, abandonando-se nos braços do Pai. Tudo o que pensa, sente e faz é regido por esta relação que, a cada dia se renova e fortalece. 
Confiar, é ir além ! Confiar é mais!
 
Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado em Psicologia

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