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sábado, 07 de junho de 2014

Artigos

O futuro com governos e cidadãos conscientes

Mais do que nunca a atitude do cidadão – em sua casa, no bairro, na sua cidade – poderá fazer a grande diferença quanto ao futuro do planeta. Líderes comunitários e os planejadores ligados às prefeituras possuem papel relevante. Seja de forma didática junto à população, com campanhas de esclarecimento para preservar rios e suas nascentes, seja instalando lixeiras em ruas e praças, ou mesmo dando estímulo a que os resíduos não sejam lançados na natureza, contaminando o solo e trazendo riscos de doenças nas comunidades.
Preservar a natureza e a vida, para muitos, é algo intangível. Algo que estaria relacionado apenas à preservação de espécies como o mico-leão-dourado, a arara azul ou as baleias caçadas nos oceanos. Denúncias de que a fauna e flora correm riscos de extinção são importantes, sim. As organizações não-governamentais (ONGs) segmentadas em cada área de preservação desempenham importante papel nesse sentido. Mas o conceito de proteção à vida é muito mais amplo e, sem dúvida, a participação das pessoas para se atingir os objetivos ambientais é fundamental.
Ações diárias (e simples) como, por exemplo, evitar usar o carro, dando prioridade a caminhadas e à utilização do transporte coletivo, representa atitude da maior relevância para garantir uma cidade mais equilibrada para nossos filhos e netos.
Nesta semana, ao comemorarmos mais um Dia Mundial do Meio Ambiente, é fundamental lembrarmos o papel de cada um de nós na preservação da Terra. Há exatos 42 anos, a Organização das Nações Unidas (ONU) reuniu representantes de 113 países e de 250 ONGs para dar um alerta: o ser humano deveria dar um basta às ações prejudiciais ao meio ambiente, sob o risco de comprometer a diversidade biológica e a própria sobrevivência. Na ocasião, criaram-se vários documentos relacionados às questões ambientais, bem como um plano para traçar as ações da humanidade e dos governantes diante do problema.
Cientistas, governos e grupos preservacionistas passaram a dar mais atenção a situações diárias como a poluição do ar, do solo e da água, desmatamento, diminuição da biodiversidade e da água potável, destruição da camada de ozônio e das florestas e a extinção de animais.
Entretanto, as medidas de contenção da ameaça contra a natureza prosseguem a passos tímidos, com baixa conexão entre cidades, estados e mesmo países. Enquanto isso, a ação das indústrias poluidoras e a baixa consciência da população aceleram o poder destrutivo. Só para citar um exemplo, esta semana os próprios cientistas ligados à ONU revelaram que o degelo na Antártica Ocidental é irreversível. Constatou-se que seis geleiras estão derretendo de baixo para cima por causa do aquecimento da água. Com isso, haverá elevação do nível do mar em mais de 1 metro, que é o suficiente para provocar o desaparecimento gradual de cidades litorâneas, aumentar as tempestades e o risco de maremotos.
Às prefeituras em Estados pujantes como São Paulo resta acelerar programas educacionais voltados para a formação de pessoas que entendam a gravidade do problema ambiental. É preciso ainda adotar programas para estimular o uso do transporte coletivo, reduzir o uso do automóvel, proteger as nascentes de água e ampliar a reciclagem de lixo. O futuro está nas mãos de cidadãos e governantes conscientes.
 
José Américo
O autor é presidente da Câmara Municipal de São Paulo. 

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