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APRENDENDO COM A VIDA
Bom Dia Barretos.
Fico deveras impressionado quando alguém se compraz em dizer – Eu fiz pós graduação em Coimbra, em Harvard, ou sei lá onde. Valorizo muito o aprendizado escolar e os conhecimentos que adquirimos.
Só que aprendi, com o tempo, que as escolas e as universidades nos municiam de conhecimentos técnicos e nós só nos completamos como profissionais, quando associamos a esses conhecimentos técnicos a vivencia de enfrentar, no dia a dia, as nuances de cada momento.
Aí entra o amor ao próximo e o amor que dedicamos ao exercício de nossa profissão. Entram também fatores como dedicação, carinho, respeito, que aliados ao amor vão pavimentando o sucesso da empreitada a que nos dedicamos. Alias, é muito ilustrativa a resposta que o mestre Hasan, em seu leito de morte, deu a uma última pergunta de um seu discípulo: – Hasan, quem foi seu mestre? Perguntou o discípulo, ao que ele respondeu: – Eu tive milhares de mestres, mas vou citar três: O primeiro foi um ladrão. Uma vez me perdi no deserto e, quando cheguei a uma aldeia, era tarde da noite e tudo estava fechado. Achei um homem que estava tentando entrar numa casa abandonada, através de um buraco na parede. Perguntei-lhe onde poderia ficar e ele disse que naquela hora da noite seria difícil encontrar pousada, mas se ele não se importasse em ficar com um ladrão, poderia passar a noite ali. O homem me tratava muito bem e acabei por ficar ali um mês! E toda noite ele dizia: – Agora eu vou para o meu trabalho. Você descansa; você reza. E sempre que ele voltava, eu perguntava: – Você conseguiu alguma coisa? – E ele dizia: – Nesta noite não, mas amanhã eu tentarei novamente, se Deus quiser. Ele nunca perdia a esperança, estava sempre feliz. Quando eu executava meu trabalho e nada acontecia, ficava tão desesperado que chegava a pensar em parar tudo. Aí vinha à minha mente a lembrança do ladrão que dizia todas as noites: “Se Deus quiser, amanhã vai acontecer”, e então retomava meu trabalho, sem nunca desistir.
Meu segundo Mestre foi um cachorro. Certa vez, eu estava muito sedento e fui até um rio, quando veio um cachorro sedento. Ele olhou para o rio e viu outro cachorro, na verdade sua própria imagem refletida na água e ficou amedrontado Ele vinha até a beira do rio e corria para longe, mas a sede era tanta que sempre voltava, até que finalmente, apesar do medo, saltou na água e a imagem desapareceu. Entendi a mensagem: a gente tem que enfrentar saltar, seguir em frente, apesar de todos os medos.
O terceiro mestre foi uma criança. Entrei em uma cidade, e uma criança estava levando uma vela acesa. Ela ia para a igreja. Brincando eu perguntei ao menino: – Em um momento sua vela está apagada, em outro, se acende. Você pode me dizer de onde vem a luz? O menino riu, apagou a vela e disse: – Agora você viu que a luz se foi. Para onde foi? Você me diz. Meu ego foi destruído, meu conhecimento foi estilhaçado. Senti minha estupidez. Desde então, repensei toda a minha ciência.
Bem, meus irmãos se nós tivermos a humildade de reconhecer que a sabedoria pode também residir em irmãos menos letrados, em crianças e até em animais, deixaremos de lado o orgulho do nosso cabedal de conhecimentos técnicos. Mas se tivermos a capacidade de irmos aliando a eles, também a sabedoria que DEUS espalhou entre os seres viventes, recolhendo em cada passagem de nossas vidas, um pouco mais dessa sabedoria, nos tornaremos não só profissionais competentes, mas profissionais abençoados por DEUS.
BOM DIA BARRETOS