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Formação na prática
A situação da falta de mão de obra especializada se agrava, sem previsão de melhora a curto e médio prazo. Recente pesquisa da Fundação Dom Cabral com 167 grandes conglomerados industriais – que representam 23% do PIB brasileiro – mostra que a carência chega a 91% das empresas. Elas têm dificuldade na contratação de profissionais, especialmente para vagas de técnicos, gerentes e trabalhadores manuais. São funções específicas que precisam de colaboradores com conhecimentos mais detalhados, que saibam lidar com os novos equipamentos e tecnologia de ponta. As empresas reclamam ainda da falta de visão global dos candidatos, deficiência na formação básica e na falta de fluência em inglês.
Uma das áreas mais afetadas pela falta de capital humano especializado é o agronegócio, fruto do elevado crescimento nos últimos anos. O setor ainda sofre por estar longe dos grandes centros, em áreas com infraestrutura inadequada, o que afeta a atratividade de profissionais, especialmente os da geração Y, que costumam estar plugados no mundo.
Com essas dificuldades, as empresas acabam reduzindo exigências nos processos seletivos. Segundo especialistas do trabalho, a contratação de um profissional qualificado hoje leva de três a cinco meses, nos níveis técnico e superior. Com o tempo de treinamento, sobe para seis a oito meses. E, ainda assim, algumas empresas estão apelando para profissionais do exterior.
Com 50 anos de experiência na inserção do jovem no mercado de trabalho, o CIEE acredita que um método eficiente para a formação profissional da juventude é a capacitação prática por meio do estágio ou programas de aprendizagem, como o Aprendiz Legal, uma parceria entre o CIEE e a Fundação Roberto Marinho, para a contratação de jovens entre 14 e 24 anos. Além do cunho social – de dar oportunidade para crescerem no aspecto profissional e pessoal –, as duas modalidades constituem uma excelente oportunidade para as empresas formarem seu capital humano, dentro das diretrizes de que necessitam para o mercado. Com o treinamento, os jovens poderão vir a ocupar boa parte desses cargos que hoje as companhias não estão conseguindo preencher.
Luiz Gonzaga Bertelli é presidente da Academia Paulista de História (APH) e diretor da Fiesp.