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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Artigos

Temporais e a rede elétrica

Estamos entrando no Verão, período do ano no qual é previsto o aumento da incidência e da intensidade de chuvas em algumas regiões no Brasil. Ao mesmo tempo em que essas chuvas são esperadas para encher rios e reservatórios, trazendo inúmeros benefícios, elas podem provocar danos extremos quando ocorre em forma de temporais acompanhados de descargas atmosféricas e rajadas de ventos que por vezes ultrapassam os 100 km/h. As profundas mudanças por qual passa o clima de nosso planeta tem evidenciado tempestades mais fortes, rápidas e devastadoras ao longo dos anos. Um desafio a mais para as empresas que trabalham com o fornecimento de energia elétrica nesta época do ano. 
Os danos causados pelos temporais podem provocar deslizamentos, inundações e quedas de árvores que atingem a rede elétrica. Além disso, as descargas atmosféricas e, sobretudo, os vendavais que arremetem toda sorte de materiais no sistema elétrico, comprometem o fornecimento de energia, seja no campo ou na área urbana. 
No ano de 2012, o furacão Sandy, deixou pelo menos 2,5 milhões de pessoas do leste dos Estados Unidos sem energia elétrica por mais de 15 horas. Em setembro deste ano, temporais atingiram alguns estados norte-americanos por cinco dias. As cidades do estado do Colorado foram as mais afetadas, com deslizamentos de terra, inundação das estradas e falta de energia. E recentemente, o tufão Haiyan, com ventos de 235 km/h, deixou cerca de 7 milhões de desabrigados nas Filipinas.
O Grupo CPFL vem experimentando, nas áreas de concessão de suas distribuidoras, fenômenos naturais similares. Um tornado que atingiu o município de Taquarituba, área atendida pela CPFL Santa Cruz, em São Paulo, varreu parte da estrutura da rede de distribuição de energia na cidade. Imediatamente, uma força-tarefa foi estruturada pela empresa para que as equipes operacionais enfrentassem o cenário caótico, que demandou a substituição de 37 postes e de mais de 17 quilômetros de fiação, dentre muitos outros equipamentos e estruturas que precisaram ser recompostos. Trabalho realizado em três dias. É importante salientar o apoio e a atuação fundamentais de instituições como Prefeituras Municipais, Polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e concessionárias de rodovias, durante ocorrências críticas como essa.
Para as redes elétricas, o efeito das tempestades é de grandes proporções, uma vez que os sistemas de transmissão e distribuição, no Brasil, em sua maioria, são aéreos e, portanto, mais vulneráveis às condições climáticas. Em todo o mundo essa solução é adotada, principalmente em razão dos altos custos envolvendo a implantação de redes subterrâneas, cerca de dez vezes mais caro. Para que a população sinta menos os reflexos das ocorrências, é essencial que as distribuidoras de energia tenham um plano de manutenção consistente, visando tornar o sistema mais robusto para suportar com confiabilidade o período de temporais.
Partindo dessa premissa, as concessionárias do grupo CPFL têm implementado novos padrões de rede elétrica e equipamentos menos suscetíveis às intempéries, além de soluções de monitoramento, tecnologia e gestão. Uma das ações é a instalação do cabo multiplexado que, por ser isolado, reduz os desligamentos causados por objetos lançados pela força dos ventos. Outra tecnologia empregada com sucesso é o spacer cable, uma rede compacta, mais resistente à interferências externas e melhor convívio com a arborização. Também são realizadas podas preventivas de galhos de árvores que estão próximos à rede elétrica, com critérios técnicos para evitar agressões desnecessárias, evitando, assim que o contato ocasione um desligamento ou coloque em risco a segurança da população.
Além disso, inovações tecnológicas contribuem para melhorar o desempenho das equipes, reduzir o tempo de desligamentos e até prever a intensidade de uma tempestade, como as chaves automatizadas, que atuam sempre que ocorre uma interrupção, proporcionando, em segundos, manobras na rede sem que seja preciso a intervenção humana. Há também a utilização de equipamentos com localizador GPS, que permitem que os operadores visualizem com exatidão a localização dos veículos da equipe de campo. Com isso, identificam a equipe mais bem posicionada para atender determinada ocorrência, e o contato é todo feito por dados, em vez de voz, proporcionando mais exatidão, economia de tempo e de combustível nos deslocamentos e, consequentemente, um restabelecimento mais rápido e eficiente do serviço. 
No que diz respeito ao monitoramento das condições climáticas, além de manter parceria com instituições especializadas, os Centros de Operações das distribuidoras são equipados com sistemas que detectam a chegada de temporais, avaliam a intensidade e a amplitude das chuvas, ventos e regiões de descargas atmosféricas, e apoiam as decisões relacionadas à logística operacional, bem como possibilitam acionar com antecedência os planos de contingência de operação e atendimento. Tudo em questão de minutos.
Além de todo esse investimento, as distribuidoras, preocupadas com a segurança da população, realizam campanhas de preventivas, com orientações como manter distância de janelas e portas metálicas ou se abrigar sob árvores durante tempestades, por exemplo. Com esse conjunto de ações, esperamos contribuir para reduzir os impactos desses grandes temporais para a população, garantindo a todos um serviço prestado com qualidade, confiabilidade e segurança.
 
Por Marco Antônio Villela de Abreu, diretor de Operações de Distribuição da CPFL Energia

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