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PAPA FRANCISCO PARA O NOBEL DA PAZ
O dia de jejum e oração pela paz na Síria, convocado pelo Papa Francisco e vivido por toda Igreja em 7 de setembro, parece ter surtido algum efeito, pois nos dias seguintes percebemos uma movimentação no sentido das potências mundiais envolvidas no conflito em encontrar meios para evitar um acirramento com conseqüências bastante imprevisíveis. A exigência para a Síria entregar seu arsenal de armas químicas abriu uma chance de novas negociações entre Estados Unidos, Irã,Israel,França, Rússia e China e outros países com interesses na região. O clima diplomático bastante tenso pelo menos parece ter ganhado uma pequena trégua e uma esperança de que as negociações possam evitar a intervenção dos Estados Unidos e outros na grave situação que aflige o povo sírio. Só o fato da abertura desta nova negociação depois do apelo do Papa pela paz, acendeu uma esperança. Muitos rezam e esperam que os Estados Unidos não repitam o erro cometido com a intervenção no Iraque, apesar da realidade política síria ser muito mais complexa.
De qualquer forma, a iniciativa do Papa pela paz reforçou o desejo de muitos para que ele obtenha este ano o Prêmio Nobel da Paz, tendo sido já indicado por um grupo de judeus argentinos da Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), especialmente pelo trabalho de muitos anos que o então Cardeal Jorge Mário Bergoglio desenvolveu na promoção do diálogo inter-religioso. Segundo Sérgio Burstein, um dos propositores do Papa Francisco ao Nobel da Paz, “judeus e católicos precisam de respeito”. E salientou: “Nossa tarefa em busca da justiça e da verdade se baseia em quatro pilares: respeito, diálogo, justiça baseada na verdade e na paz”.
Esperamos que a iniciativa da AMIA seja bem sucedida e que o Papa Francisco, a exemplo de outros católicos como a Madre Teresa de Calcutá e o bispo Dom Carlos Filipe Ximenes Belo (Timor Leste), possam com o Prêmio Nobel da Paz afirmar cada vez mais a cultura da paz, num mundo que anseia tanto redescobrir o sentido da mensagem de São Francisco: “aonde tiver ódio, que eu leve o amor.”
Valmor Bolan é Doutor em Sociologia e Presidente da Conap/MEC (Comissão Nacional de Acompanhamento e Controle Social do Programa Universidade para Todos-PROUNI).