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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

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29º Domingo do Tempo Comum (Mt 22, 15-21)

 

 

Se nos últimos domingos ouvimos as diversas parábolas que Jesus se serviu para falar da incredulidade dos chefes religiosos de Israel, neste domingo são os fariseus que contra-atacam fazendo a Jesus uma pergunta que dependendo da sua resposta poderia criar uma forte reação contra a sua mensagem: “É lícito ou não pagar imposta a César?”.

Jesus imediatamente se dá conta de que a pergunta que lhe fazem é uma “armadilha”. Por isso pede-lhes uma moeda do imposto e, perguntando de quem era a imagem inscrita na moeda, disseram-lhe: “De César”. Jesus responde: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.

Com a sua resposta, Jesus ensina que o cristão deve cumprir as suas obrigações diante do Estado, sem omitir-se na sua responsabilidade diante de Deus. Não se tratam de duas realidades opostas entre si, mas, realizando as suas tarefas no mundo e, atendendo suas obrigações diante do Estado, o cristão deve ordenar todas as coisas para o cumprimento da vontade de Deus.

Se o Estado corresponde a sua função e colabora na realização do Reino de Deus, tudo se torna mais fácil; mas, quando o Estado nega ou limita o cumprimento da vontade de Deus, o cristão tem a tarefa de atendendo os seus deveres diante do Estado, na medida do possível, esforçar-se para que através de sua participação na vida social e política colabore pacificamente, na mudança do regime do Estado para que os direitos de cada pessoa em viver sua fé possam ser respeitados.

Ao interrogar Jesus, os fariseus fazem uma declaração da veracidade e justiça de Jesus que contrasta com a atitude dos que não o imitam: “Mestre, sabemos que és verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. Não te deixas influenciar pela opinião dos outros, pois não julgas um homem pelas aparências” (v.16).

Oxalá possamos ver aplicadas a nós esse elogio, procurando agir sempre em consonância com a verdade e a justiça; e não pela conveniência ou pela lógica do “politicamente correto”. Onde a verdade e a justiça são ignoradas, não é possível que as pessoas ou os Estados cumpram a sua missão de construir um mundo conforme a vontade de Deus.

 

Dom Milton Kenan Júnior

Bispo Diocesano de Barretos

 

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