Esportes
Messi se despede da Argentina após 21 anos de uma história marcada por lágrimas, títulos e glórias
Canhoto, dono de um talento inigualável e transformado ao longo dos anos em um líder incontestável, Lionel Messi encerra sua trajetória de 21 anos com a seleção argentina como capitão e protagonista de alguns dos maiores momentos da história da Argentina.
Aos 39 anos, o craque anunciou no fim de agosto sua decisão de deixar a seleção. A despedida oficial acontece nesta terça-feira (6), diante de cerca de 85 mil torcedores no Estádio Monumental de Buenos Aires, em um amistoso contra Benin.
“Falta pouco, algumas etapas vão se encerrando e esta é uma que dói muito. Amo, amei e sempre amarei estar na seleção. Dei tudo, não tenho mais nada a dar e, além disso, estão surgindo jovens muito bons que merecem estar lá”, escreveu Messi.
O último capítulo competitivo foi a final da Copa do Mundo de 2026, quando a Argentina perdeu por 1 a 0 para a Espanha, em 19 de julho. A derrota aconteceu três anos e sete meses depois de seu momento mais feliz com a seleção: a conquista do Mundial de 2022, no Catar.
Messi deixa a Argentina com números históricos. São 207 jogos, 125 gols e 68 assistências, marcas que o colocam como recordista da seleção nesses três quesitos. Ele também é o jogador com mais partidas disputadas em Copas do Mundo, com 34 jogos.
Sua trajetória começou em 2005, de forma traumática. Em um amistoso contra a Hungria, Messi entrou em campo e foi expulso após menos de um minuto, depois de atingir um adversário no rosto.
Os anos seguintes foram marcados por grandes frustrações. Messi sofreu eliminações nas Copas de 2006, 2010 e 2018 e perdeu a final do Mundial de 2014 para a Alemanha. Também viu o Chile conquistar duas Copas América consecutivas diante da Argentina.
Após a derrota na final de 2016, Messi chegou a anunciar sua aposentadoria da seleção. A decisão durou apenas 47 dias. Ele voltou para tentar conquistar um país que ainda o comparava constantemente a Diego Maradona e que, durante anos, o criticou pela falta de títulos com a equipe principal.
A partir daí sua relação com a seleção mudou. Sob o comando de Lionel Scaloni, Messi assumiu definitivamente a braçadeira de capitão e passou a exercer uma liderança ainda maior dentro do grupo.
O resultado veio em sequência. A Argentina conquistou a Copa América de 2021, derrotando o Brasil no Maracanã, a Finalíssima de 2022, a Copa do Mundo de 2022 e a Copa América de 2024.
O título mundial foi o ponto máximo. Na final contra a França, Messi marcou dois gols e ajudou a Argentina a conquistar seu terceiro Mundial, encerrando uma espera que vinha desde 1986, quando Diego Maradona liderou a seleção ao título.
Nascido em Rosário, Messi escolheu representar a Argentina mesmo depois de construir sua carreira na Espanha e ter a possibilidade de defender a seleção espanhola. Ao longo de mais de duas décadas, manteve esse compromisso com o país onde nasceu.
Sua despedida encerra uma era. Mais do que os títulos e recordes, Messi deixa uma história marcada por derrotas, lágrimas, persistência e redenção. O jogador que chegou a abandonar a seleção por 47 dias termina sua trajetória como campeão mundial, capitão e um dos maiores símbolos da história da Argentina.