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O dia da vitória do mal
Uma geração inteira ainda haveria de nascer depois de 11 de setembro de 2001. Naquela manhã de uma terça-feira ensolarada, o ódio, o terror e o mal prevaleceram diante do olhar atônito de bilhões de pessoas de todo o planeta. Era subeditor de Mundo do jornal O Popular, em Goiânia, e tinha trabalhado até tarde na véspera. Recebi uma ligação da empresa pedindo que eu ligasse a televisão e informando que “um avião colidiu com um prédio em Nova York”. Imaginei que se tratava de uma aeronave pequena comandada por um piloto inexperiente e, a princípio, não dei muito ouvidos.
Minutos depois, assistia, atônito e incrédulo, ao desenrolar do maior atentado terrorista da história. As imagens ao vivo do segundo avião comercial sendo lançado contra o World Trade Center pareciam surreais demais. O que dizer do Pentágono atingido, das duas Torres Gêmeas desabando, do voo 93 mergulhado no vazio, sobre a Pensilvânia? Depois, as semanas de luto e dor nos Estados Unidos; as buscas pelos corpos, por improváveis sobreviventes e por respostas.
Vinte e cinco anos depois, o mundo está longe de ser seguro. Os massacres no sul de Israel e na Faixa de Gaza e o assassinato do aiatolá Ali Khamenei em Teerã podem ter reforçado o extremismo e a sanha de vingança. É uma espiral sem-fim, um ciclo de ódio que se retroalimenta da política imperialista dos Estados Unidos, assim como do militarismo israelense. Imaginar que a morte do guia supremo iraniano — um líder máximo do xiismo — ficará impune é ser ingênuo demais.
Trump teria sofrido três tentativas de assassinato durante a campanha e ao longo de seu segundo mandato. Muitos analistas apontam para uma conexão iraniana e veem o planejamento de vingança pela morte de Qassem Soleimani, chefe da Guarda Revolucionária Islâmica, em um bombardeio com drone em 2020. A eliminação de Ali Khamenei, em uma operação conjunta com Israel, em 28 de fevereiro passado, adiciona mais um elemento a teses conspiratórias contra Trump e contra os EUA.
Como o mundo pode ser mais seguro se o presidente da nação mais poderosa do mundo (ou a segunda?) classifica os iranianos como “escória” e ameaça sequestrar o Estreito de Ormuz, assim como os 20% do petróleo mundial que escoam por aquele canal marítimo? Trump, com seus arroubos de xerife do planeta, pode estar decretando um futuro próximo de terror e de mortes dentro de seu próprio território.
A guerra da Casa Branca também tem atingido milícias xiitas no Iraque e na Síria, assim como o movimento fundamentalista armado Hezbollah, no Líbano. A toda ação corresponde uma reação, não necessariamente proporcional. Espero que todo o horror das imagens daquele 11 de setembro de 2001 jamais se repita.
Como líder de uma nação, Trump tem o dever moral de proteger e preservar sua própria população. A decisão de embarcar na guerra contra o Irã foi precipitada e mal planejada. A morte de Osama bin Laden e o desmantelamento financeiro e operacional da Al-Qaeda, assim como o combate ao Estado Islâmico, pareciam ter decretado uma trégua do terror. Trump pode ter realimentado o extremismo.
Por Rodrigo Craveiro – Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) em 1997. Desde 2005, trabalha no Correio Braziliense.