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Infarto em jovens: por que está aumentando e como prevenir?
Entrevista com médico hemodinamicista Dr. Uebe Chade Rezek alerta para fatores que estão levando pessoas cada vez mais jovens a sofrerem infarto e reforça a importância da prevenção.
O infarto sempre foi considerado uma doença mais comum em pessoas mais velhas. Porém, embora continue sendo mais frequente com o avanço da idade, médicos têm observado pacientes cada vez mais jovens chegando aos serviços de emergência com dor no peito.
Segundo o cardiologista clínico, intervencionista e hemodinamicista Dr. Uebe Chade Rezek, responsável pela hemodinâmica do Hospital São Jorge de Barretos, esse cenário é resultado de uma combinação de fatores.
“Hoje temos uma população mais sedentária, aumento do excesso de peso, alimentação inadequada, maior exposição ao estresse, hipertensão, diabetes e alterações do colesterol que muitas vezes não são diagnosticadas por falta de exames”, explica.
Além disso, o tabagismo e o uso de drogas, especialmente cocaína e outras substâncias estimulantes, podem aumentar significativamente o risco cardiovascular.
Estresse também pode aumentar o risco
O estresse crônico não deve ser subestimado. De acordo com o médico, ele pode contribuir para o aumento da pressão arterial, piora do sono, alterações hormonais e metabólicas e adoção de hábitos pouco saudáveis, como fumar, beber em excesso, alimentar-se mal e deixar de praticar atividade física.
Em algumas situações, um estresse intenso pode funcionar como gatilho para um evento cardiovascular em uma pessoa que já apresenta algum grau de predisposição.
Colesterol pode agir silenciosamente
O colesterol elevado pode começar a provocar a formação de placas de gordura nas artérias muitos anos antes do aparecimento de qualquer sintoma. Um jovem de 30 ou 40 anos pode se sentir completamente saudável e, mesmo assim, já apresentar aterosclerose, que é o entupimento das artérias.
Por isso, conhecer os níveis de colesterol e outros fatores de risco é fundamental, principalmente quando existe histórico familiar de infarto ou morte súbita precoce.
Como o colesterol alto inicialmente não causa sintomas, muitas pessoas não realizam a investigação ou não fazem o tratamento corretamente. Com o passar dos anos, essa condição pode contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC (derrame).
Pessoas que tiveram pai, mãe ou irmãos com infarto em idade relativamente jovem precisam ter atenção especial. Isso não significa que necessariamente terão um infarto, mas indica a necessidade de maior rigor na prevenção e no controle dos fatores de risco.
Quais são os principais fatores de risco?
Além do histórico familiar, outros fatores podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares, como:
* Tabagismo;
* Colesterol elevado;
* Hipertensão arterial;
* Diabetes;
* Obesidade;
* Sedentarismo;
* Alimentação inadequada;
* Estresse crônico;
* Privação de sono;
* Uso de drogas estimulantes.
A combinação de vários desses fatores é especialmente perigosa.
Prevenção pode reduzir o risco
Uma parcela importante dos infartos pode ser evitada ou ter seu risco significativamente reduzido. A prevenção começa muito antes do aparecimento de uma dor no peito.
É importante cuidar da pressão arterial, controlar o colesterol — já que muitas vezes o valor de referência não é necessariamente o valor ideal para todas as pessoas —, acompanhar a glicemia e o peso, não fumar, praticar atividade física regularmente, manter uma alimentação equilibrada e realizar acompanhamento médico quando houver fatores de risco.
Quem apresenta fatores que aumentam o risco de doenças cardiovasculares, como AVC e infarto, deve iniciar acompanhamento médico.
Quais sintomas devem fazer um jovem procurar imediatamente um pronto-socorro?
O principal alerta é uma dor ou pressão no peito, especialmente quando dura alguns minutos ou vem acompanhada de falta de ar, suor frio, náusea, tontura ou mal-estar.
A dor pode irradiar para o braço, costas, pescoço ou mandíbula. Em mulheres, pessoas com diabetes e alguns pacientes mais jovens, os sintomas podem ser menos típicos.
Na dúvida, é muito melhor procurar atendimento imediatamente do que esperar os sintomas passarem.
Qual mensagem o senhor deixaria para os jovens de Barretos?
“Eu diria para não esperar o coração dar um sinal de alerta para começar a cuidar dele. Infarto não começa no dia em que acontece. O processo que leva ao infarto pode começar muitos anos antes”, alerta o médico.
Controlar o colesterol, a pressão e a glicemia, não fumar, manter atividade física, cuidar da alimentação, dormir bem e controlar o estresse são atitudes que ajudam a proteger o coração por décadas.
Então prevenção é o melhor tratamento?
“Sem dúvida”, afirma Dr. Uebe.
A medicina intervencionista e a hemodinâmica conseguem salvar vidas quando o infarto acontece, desobstruindo a artéria responsável e restabelecendo o fluxo sanguíneo. Porém, segundo o especialista, o principal objetivo deve ser evitar que o infarto aconteça.
“Cuidar do coração hoje é a melhor forma de evitar uma emergência amanhã.”
Dr. Uebe Chade Rezek
Cardiologista clínico, intervencionista e hemodinamicista
CRM 184.719