Artigos
Transtorno do Espectro Autista
O Transtorno do Espectro Autista – TEA é uma condição do desenvolvimento do cérebro que afeta a comunicação, a interação social e os comportamentos. O termo “espectro” indica que o autismo se manifesta de formas diferentes em cada pessoa, desde quadros leves até casos que exigem maior apoio no dia a dia. Ao longo das décadas, o TEA passou por diferentes classificações: inicialmente relacionado à esquizofrenia infantil, foi reconhecido nas décadas de 1970 e 1980 como um transtorno distinto do neurodesenvolvimento, com múltiplos níveis de intensidade e apresentações clínicas.
Os manuais diagnósticos modernos, como o DSM-5 e a CID-10, unificaram várias categorias antes separadas: Autismo clássico, Síndrome de Asperger e outros Transtornos do desenvolvimento sob a definição de Transtorno do Espectro Autista, exceto a Síndrome de Rett, que tem classificação própria. O TEA é hoje compreendido como parte dos transtornos do neurodesenvolvimento, reconhecendo a diversidade de sintomas, comorbidades e trajetórias individuais. Essa abordagem permite que intervenções e apoios sejam personalizados, considerando as potencialidades e necessidades de cada pessoa, ao mesmo tempo em que valoriza o diagnóstico precoce e a inclusão social.
A identificação precoce do autismo é essencial para promover intervenções eficazes. Existem indicadores de desenvolvimento esperados em cada faixa etária, e sinais de alerta quando esses marcos não são atingidos.
0 a 6 meses: Contato visual, sorriso sociais, atenção para rostos. 6 a 12 meses: Balbucio, resposta ao nome, imitação simples. 12 a 24 meses: Primeiras palavras, apontar para mostrar interesse, brincar de faz-de-conta simples. 2 a 3 anos: Combinação de palavras, interesse por outras crianças, brincadeiras simbólicas. Sinais de alerta para o autismo. Ausência de contato visual ou expressões faciais. Não responder ao nome até os 12 meses. Atraso na fala ou regressão de habilidades já adquiridas. Pouco ou nenhum interesse por interações sociais. Comportamentos repetitivos (como balançar o corpo ou alinhar objetos). Resistência a mudanças na rotina. Hiper ou hipossensibilidade a sons, luzes, texturas.
Crianças com TEA podem apresentar dificuldades na identificação e expressão de emoções, o que pode gerar comportamentos desafiadores como birras, agressividade ou isolamento. Esses comportamentos estão ligados à dificuldade de lidar com frustrações e situações sociais. A intervenção precoce com estratégias definidas pela equipe multiprofissional que acompanha a criança é essencial para promover a autorregulação emocional. Histórias sociais elaboradas enquanto curtas narrativas e jogos com expressões emocionais auxiliam a criança a compreender situações sociais e sentimentos e reconhecimento de expressão de emoções básicas.
Ministério da Saúde
Tracoma
O tracoma é uma doença inflamatória ocular, uma conjuntivite, causada pela bactéria Chlamydia trachomatis que ocorre em áreas de maior concentração de pobreza, deficientes condições de saneamento básico e acesso à água. O tracoma é a principal causa de cegueira infecciosa e é responsável por prejuízos visuais em 1,9 milhões de pessoas, das quais 450 mil apresentam cegueira irreversível. Estima-se que 190,2 milhões de pessoas vivem em áreas endêmicas com risco de cegueira por tracoma.
O tracoma é um problema de saúde pública em muitos países em desenvolvimento e em áreas remotas de 43 países da África, Ásia, América Central e do Sul e Oriente Médio
Em sua fase inicial, o tracoma é uma doença que ocorre com maior frequência nas crianças. A depender da forma clínica, o indivíduo com tracoma apresenta os seguintes sinais e sintomas:
Fotofobia (sensibilidade e intolerância à luz); Prurido (coceira nos olhos); Sensação de corpo estranho dentro do olho; Vermelhidão nos olhos; Secreção; Lacrimejamento; Dor nos olhos, intensa fotofobia, dificuldades de abrir os olhos e diminuição da visão, nas formas sequelares.
Muitas pessoas com tracoma não apresentam ou referem nenhum sinal ou sintoma. O período de incubação (período entre o momento da infecção e o surgimento dos sintomas) do tracoma dura de 5 a 12 dias.
A maior ou menor gravidade do tracoma depende da reincidência da doença, que ocorre principalmente em áreas endêmicas, e pelas conjuntivites associadas a infecções bacterianas secundárias. Essas condições podem contribuir para a disseminação e agravamento da doença.
O diagnóstico do tracoma é clínico-epidemiológico e realizado por meio de exame ocular externo, utilizando lupa binocular de 2,5 vezes de aumento, onde buscam-se os sinais clínicos como a presença de folículos e cicatrizes na conjuntiva palpebral superior e alterações na posição dos cílios.
Ministério da Saúde