Artigos
Quando o coração se abre para Deus
Por Pe. Pedro Lopes, Vigário Paroquial São Miguel Arcanjo, Miguelópolis
Ao longo da vida, todos nós fazemos escolhas. Algumas nos aproximam de Deus, outras nos afastam. A fé cristã é, em grande parte, uma questão de abertura do coração: permitir ou não que Deus entre em nossa vida e transforme nossa história. No Evangelho de São João (Jo 10,31-42), vemos uma situação muito significativa. Algumas pessoas rejeitam Jesus e chegam até a querer apedrejá-lo. Outras, porém, escutam suas palavras, observam suas obras e começam a acreditar nele. Essa diferença de atitudes revela algo importante: diante de Deus, o coração humano pode reagir de maneiras muito diferentes. Há quem se feche, quem desconfie ou quem rejeite. Mas há também quem se deixe tocar e se abra à fé. Jesus não força ninguém a acreditar nele. Ele anuncia, ensina, realiza sinais e convida. A resposta depende sempre da liberdade de cada pessoa. Ao final do Evangelho, vemos que muitos começaram a crer em Jesus ao perceber suas obras e suas palavras. Aqueles que se abriram à sua presença descobriram algo novo e transformador. A Quaresma que passou foi um tempo que nos convidou a essa abertura interior. É um tempo de conversão, isto é, de mudança de direção. Não se trata apenas de fazer algumas práticas religiosas, mas de permitir que Deus transforme nossa vida. Converter-se significa deixar que Deus ilumine nossas atitudes, cure nossas feridas e renove nossas esperanças. Significa reconhecer que sempre podemos dar um passo a mais no caminho da fé. Às vezes pensamos que a conversão é algo extraordinário ou reservado apenas para algumas pessoas. Na verdade, ela acontece nas pequenas decisões do dia a dia: quando escolhemos perdoar, quando ajudamos alguém, quando buscamos viver com mais honestidade e quando nos aproximamos de Deus com humildade. A Páscoa que agora celebramos, é a grande celebração da vida nova que Cristo nos oferece. A Quaresma preparou justamente o nosso coração para esse encontro. Talvez a pergunta mais importante neste tempo seja esta: como está o nosso coração diante de Deus? Se o abrirmos com sinceridade, descobriremos que Deus nunca se cansa de nos acolher e de nos oferecer um novo começo.