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DESEJO DE PAZ – Parte 2
Por Pe. Flávio Aparecido Pereira, Vigário Paroquial Catedral Barretos
Ao se colocar do nosso lado, Cristo quer que partilhemos nossa experiência de encontro e conhecimento que temos acerca Dele, isto é exatamente o que pede para nós o ressuscitado: partilhar de sua paz, de seu amor e de seu Espírito soprado sobre todos nós, como em dia de Pentecostes (Lc 24,36-53). Jesus, em uma das passagens após sua ressurreição, se coloca no meio dos seus, lhes mostra as mãos e o lado, significando que o mesmo que está diante deles ressuscitado é o que fora crucificado, deixa-lhes a paz e lhes dá o Espírito Santo, para que possam perdoar pecados na terra e nos céus. A reunião dos discípulos no cenáculo é movida pelo medo; hoje, nós nos reunimos por seu amor, partilhamos nossa vivência diária de fiéis cristãos, uma vez que estarmos reunidos em nome de Cristo é ter a presença Dele e, mesmo com medo, devemos rezar e partilhar entre nós o que estamos sentindo e vivendo, tal qual fizeram os dois discípulos de Emaús. Nossa Senhora pediu a oração do Santo Terço em todas as suas aparições em Fátima, Portugal, de maio a outubro de 1917. Ela nos prometeu a paz e muitas outras graças mediante esta oração, feita com sinceridade do coração. Atualmente, o seu pedido continua presente no coração de todo o gênero humano, devido a muitas vezes haver o afastamento de Deus e, consequentemente, ao abandono dos valores morais. A oração do Terço é uma arma eficaz para vencermos todos os tipos de guerras, pelas quais somos constantemente assolados. O então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o Cardeal Ratzinger (Papa Bento XVI), no seu comentário teológico sobre a Mensagem de Fátima, ele afirma que “não existe um destino imutável, que a fé e a oração são forças que podem influir na história e que, em última análise, a oração é mais forte que as balas, a fé mais poderosa que os exércitos” (Memórias da Ir. Lúcia, p. 231). Irmã Lúcia nos mostra, nas suas ‘Memórias’, que Nossa Senhora pediu para rezarmos o Terço diariamente nas aparições de Fátima, para alcançarmos as graças que Nosso Senhor tem para nós, confiantes na Sua poderosa intercessão. Sabemos que o primeiro dia da semana é como um recriar de Deus, a inauguração de um novo tempo, pois é o dia da Ressurreição, logo, por excelência, é o dia do Senhor. O dia do Senhor é para nós, o dia em que Ele faz novas todas as coisas e deseja a paz para todos, por isso, voltar ao passado e ao erro não são escolhas sadias, pois se quisermos o novo, temos que caminhar para isso acontecer em nossa vida, mesmo que o medo tome conta de nós. Rezar pela paz é o princípio promotor deste que é o desejo do coração de Cristo. Nosso Deus é um Deus que questiona, nos chama, se oferece e nos liberta, tudo isso, por meio de sua paz inquietante.