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“Atravessar montanhas” para celebrar o Natal!
Maria de Nazaré, que “atravessa montanhas” para encontrar a prima Isabel, conduz o coração do Advento e, de maneira especial, a proximidade do Natal. Se João Batista convidou a “preparar os caminhos do Senhor”, Maria, ao dizer “sim”, torna-se o próprio caminho para o Salvador. Ela carregou a plenitude daquilo que o profeta Miqueias anunciou: “Ele mesmo será a paz”.
A paz se realiza nos encontros, na aproximação, no diálogo! Por natureza, somos seres relacionais, e o impulso missionário de Maria é sempre um horizonte sobre o qual nos cabe construir a vida cristã. Construir relações saudáveis a ponto de alcançar o perdão, de viver com misericórdia, de estabelecer vínculos de amizade sempre será a melhor forma de preparar a vinda do Senhor e “fazer sua vontade”.
No início de tudo está uma visita! Toda visita é uma forma de ampliar a vida, de alargar um círculo. A visita arrasta para fora. O texto do Evangelho deste domingo apresenta a imediata visita de Maria – depois da anunciação do anjo – à sua prima Isabel: “Maria partiu para uma região montanhosa” (v. 39). Isabel morava distante, com Zacarias. Era um casal idoso que vivia a bênção da espera por João Batista. O encontro de Maria e Isabel, o afeto de duas mulheres grávidas, compõem o cenário da visitação. Para que isso fosse possível, Maria precisou “atravessar a montanha”. A vida nem sempre é linear, e as montanhas são uma metáfora da descontinuidade, da necessidade de amar o desnível, de dar sentido àquilo que não é “planície”. As “montanhas” atravessam nossas relações e recordam que visitar, aproximar, compreender, servir não é tarefa simples e fácil, não é fazer de qualquer jeito.
As “montanhas” impedem encontros, convivências, ofuscam a verdade do outro. São as imagens que fazemos, os preconceitos que alimentamos, o idealismo que guardamos. Maria, ao atravessar a montanha, coloca no princípio da fé a busca por aproximar-se e conhecer a identidade do outro. Não é possível fazê-lo sem escalar as “montanhas” para chegar mais perto.
Na fé mais genuína, mais bonita, não podem estar o tempo e o esforço para tornar
as montanhas ainda mais altas e intransponíveis, como carregadores de pedras e de terra. Esse é o caminho oposto ao de Maria. A superficialidade da planície precisa ser provocada pela ousadia da “montanha” – eis o grande desafio de preparar a vinda do Senhor, bem próximo, no Natal. Não há fé sem visitação, não há fé sem “montanha”. Trata-se de um sair de casa contínuo. A Igreja em saída é a Igreja de Maria, de Jesus, da humanidade que não escolheu ficar pisoteando a mesma “planície”.
A chegada do Natal exige uma atitude ainda maior de atenção, vigilância e espera
para que o Senhor não nos encontre dispersos e desatentos em realizar sua vontade (Revista “Vida Pastoral”, Paulus, n. 360).